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Cultura

“A música dá trabalho” leva David Fonseca, Surma e outros artistas a 12 escolas de Leiria

Concertos e um livro fazem parte do projeto da Omnichord que quer mostrar a alunos de Leiria o que acontece “antes da música lhes chegar aos ouvidos”.

First Breath After Coma

Doze artistas, entre os quais David Fonseca, Surma ou First Breath After Coma, atuam a partir de segunda-feira em 12 escolas do concelho de Leiria, num projeto que quer provar que a música e as artes envolvem múltiplas profissões.

“A música dá trabalho” nasce do exemplo precisamente de Surma, dos First Breath After Coma ou dos Whales, novos nomes da música nacional que a editora Omnichord foi descobrir há quase uma década entre alunos do secundário de Leiria.

“Queremos voltar às escolas e mostrar que as profissões ligadas à música e às artes exigem estudo, experiência e dedicação, empregam muitas famílias, são essenciais também para outros setores, são complementares e interdependentes”, explica à agência Lusa Hugo Ferreira, da Omnichord. 

A grande maioria dos elementos daquelas bandas nascidas em meio escolar vive hoje profissionalmente das artes e é esse exemplo que a editora de Leiria quer partilhar, mostrando, também, que as saídas laborais em contexto de atividade artística não se limitam aos lugares principais em palco.

“Nas escolas que visitaremos vamos chegar de manhã com todo o material para o palco, som e luz e vamos começando a montar”, antecipa Hugo Ferreira. Depois haverá ensaios de som e, por volta da hora do almoço, é servido o concerto. Todo o ritual posterior de desmontagem do material será também feito perante o olhar dos alunos. 

“Para meia hora de concerto, as equipas técnicas passam lá toda a jornada letiva e é importante que os alunos acompanhem isso que vai acontecendo e as muitas funções em ação, a trabalharem entre elas para construírem um resultado”, sublinha. 

A partir do exercício que dá origem ao espetáculo em si, a Omnichord pretende evidenciar que a música e as artes envolvem muitas profissões “tantas vezes invisíveis”, que vão “da compositora à contabilista, do escritor ao assistente de palco, da engenheira de som à técnica de luzes, passando pelo agente, programador, ‘manager’, gestora de redes sociais, e, entre muitas outras, claro, a do intérprete”.

Essa cadeia de atividade entre diferentes valências e entre pessoas empenhadas num resultado comum está também descrita na história contada no livro “A música dá trabalho”, com ilustrações do artista Tenório e textos de Patrícia Martins, a distribuir aos alunos.

A Omnichord espera que, no fim de cada sessão, “alguns alunos sintam que presenciaram algo inspirador e empolgante”.

“Queremos levá-los numa descoberta sobre quem faz o quê antes de a música lhes chegar aos ouvidos. São dezenas de profissionais envolvidos e muitas horas e muito saber investidos”, frisa o editor, que deseja desmistificar a ideia de que “o talento chega para singrar”. 

“A música dá trabalho” começa a 22 de novembro com a banda Catraia na Escola Básica e Secundária Henrique Sommer, na Maceira. Até 14 de janeiro de 2022 há mais 11 escolas do concelho envolvidas, com ‘showcases” de Surma, Nice Weather For Ducks, Whales, First Breath After Coma, Jerónimo, David Fonseca, Cabrita, Labaq, Rua Direita, Sean Riley & Slowriders e Few Fingers. 

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