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Sociedade

Incêndios: “Vi bem o desespero das pessoas”, diz presidente da Câmara de Ourém

Incêndio de Cumeada, Freixianda, no concelho de Ourém, que deflagrou na quinta-feira, 7 de julho, consumiu cerca de 1.500 hectares. 48 horas depois, a situação é de rescaldo.

Cerca de 600 bombeiros estão ainda no teatro de operações, dois dias depois do incêndio ter deflagrado LO

As quatro frentes do incêndio que deflagrou na tarde de quinta-feira em Cumeada, Freixianda, no concelho de Ourém, “estão em fase de rescaldo”, afirma o presidente da Câmara, Luís Albuquerque. O incêndio já se propagou ao concelho de Ferreira do Zêzere e ao de Alvaiázere e é lá que estão as maiores preocupações dos bombeiros e autoridades.

Em Ourém, “pensamos nós que o pior já passou”, afirma Luís Albuquerque, apontando para a existência de mais de meio milhar de bombeiros no local para “evitar que haja qualquer reacendimento“. O vento incerto e com intensidade podem dificultar a vida aos soldados da paz, mas espera-se que possa diminuir ao início da noite, para ajudar a consolidar o rescaldo.

O calor e o vento foram as maiores dificuldades sentidas no teatro de operações e há mais de uma dezena de bombeiros a acusar exaustão e inalação de fumos. Alguns apresentam ainda escoriações. O fogo ladeou “dezenas e dezenas de casas aqui do concelho, e só a ação dos bombeiros evitou males maiores e uma tragédia”, assume o presidente da Câmara, em declarações ao REGIÃO DE LEIRIA.

“Viveram-se momentos muito difíceis” confessa o edil, apontando a existência de “muitas habitações no meio da floresta”, o que tornou mais difícil a atuação dos bombeiros.

“Vi bem o desespero das pessoas. Estive com elas, apercebi-me disso e, por vezes, sentimo-nos impotentes, sem poder fazer alguma coisa e as pessoas com receio de que as suas habitações pudessem arder”, acrescentou.

Foram consumidas zonas de mato, pinhal e eucaliptos, além de “dois ou três anexos devolutos”, mas “sem grandes danos materiais”, aponta.

À população, o autarca apela a que “mantenha a calma” e garante que se “está fazer o que é possível para devolver a tranquilidade às populações”.

Pedalar contra o fogo

Tiago Oliveira, de 15 anos, de Freixianda, estava na Praia Fluvial do Agroal, com amigos da Cumeada, quando as chamas deflagraram na última quinta-feira, dia 7, cerca das 16h30. Os rapazes, de bicicleta, apressaram-se a voltar às respetivas casas (a distância é de mais de 10km) e a partir daí foi um esforço de contenção das chamas longe das habitações. Já na madrugada de sexta-feira, quando tudo parecia mais sereno, houve um mergulho na piscina, conta Tiago.

A ameaça constante das chamas na União de Freguesias de Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais colocou em permanente estado de alerta as populações. No teatro de operações, o número de soldados da paz envolvidos no combate às chamas aumentou ao longo do tempo e só começou a diminuir já este sábado, dia 9, mantendo-se no terreno 589 operacionais, apoiados por 181 veículos e sete meios aéreos, às 18h20.

Na tarde de ontem, sexta-feira, as chamas chegaram ao Cercal e ameaçaram as habitações. O fogo acabou por ceder durante a noite e foi dado como em “estado de conclusão”. No rescaldo participam 96 operacionais e 36 viaturas.

Alterações na agenda de fim-de-semana

No concelho de Ourém, o cortejo dos Bombeiros de Ourém, inicialmente previsto para 10 de julho, pelas 15 horas, seria adiado para as 17 horas, devido às altas temperaturas que se fazem sentir e, já nesta manhã de sábado, a decisão de adiamento do evento foi comunicada.

“Devido a esse facto, e de modo a acautelar quaisquer imprevistos, e sobretudo porque os Bombeiros estão extremamente ocupados e preocupados, em acautelar e defender a população e os seus bens, dos sinistros que se lhes deparam, foi decidido adiar o Cortejo de Oferendas agendado”.

Este realizar-se-á, no próximo dia 17 de julho, pelas 17 horas, “se as condições climatéricas, assim o
permitirem”, adianta a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ourém, em comunicado.

Também a inauguração da requalificação do Largo do Rossio, em Urqueira, prevista para a tarde deste sábado, acabou por ser adiada “por força das elevadas temperaturas e dos incêndios que assolam o concelho”.

O acesso à Praia Fluvial do Agroal esteve interdito este sábado e estará também amanhã, domingo, como “medida de segurança, consequência da evolução e combate aos recentes incêndios”, informa o Município de Ourém.

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