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Três dias para descobrir o humor do mundo no novo festival de Pombal

Até domingo, a primeira edição de HaHaArt Film Festival mostra meia centena de curtas-metragens. Dos Estados Unidos à China, há muitas comédias para ver no Teatro-Cine.

“Speaking of pastours”, do suíço Jan Mühlethaler, tem estreia marcada para Pombal

Há comédias que marcam para a vida – quanto mais não seja pelo que refletem sobre a comédia humana que é a nossa existência. Do cinema mudo aos filmes mais intelectuais, passando pelas comédias-pipoca dos domingos cinzentos, as sátiras patetas, a saudosa Britcom dos sábados à noite, a época de ouro do cinema português ou os filmes que chegam de Itália, França, Espanha ou da Suécia, há humor para todos os gostos. Mas, apesar deste manancial, a comédia é desvalorizada pelo público e, sobretudo, pela crítica. Em Pombal, contudo, o Cineclube quer colocar as comédias no devido lugar com o HaHaArt Film Festival. A primeira edição chega neste fim de semana com 50 curtas de 21 países.

O festival ocupa uma lacuna e contribui para valorizar o género, especialmente os filmes feitos em Portugal. “Os grandes ‘reis’ de bilheteira são as comédias. Mas, depois, não há um festival dedicado à comédia. Talvez por ser comédia, as coisas não são tão levadas a sério”, admitia em agosto, no lançamento do HaHaArt Film Festival, Carlos Calika. “É muito irónico que o humor esteja na origem do cinema”, com Chaplin ou Buster Keaton, mas “hoje em dia é um género subvalorizado”.

Apesar disso, há muita gente a fazer cinema para rir: mais de 400 filmes de 50 países chegaram a Pombal. “Para uma primeira edição, foi um sucesso”, diz Calika, ainda antes de subir o pano do HaHaArt. Desses, meia centena foram selecionados para ser exibidos em Pombal, que é montra do humor mundial até domingo. No processo de escolha, foi perceberam “aspetos que supostamente são humor nos países de origem mas que nós não os entendemos como tal”.

Dos Estados Unidos da América à China, passando pelo Irão, Índia, Argentina, Croácia, Brasil, Canadá ou Noruega, há muitas cambiantes para descobrir. “O mais interessante será vermos o humor de diferentes países refletido nos seus filmes”, antecipa o diretor, destacando a Suíça, com quatro filmes de “grande qualidade” entre os finalistas.

Mas o Cineclube anda a servir comédias a Pombal há um par de meses. A estratégia de divulgação do novo festival incluiu sessões ao ar livre (e depois em sala) para público em geral, e ações para lares e escolas. “Conseguimos cativar pessoas não só para o festival mas também para o Cineclube”, conta Carlos Calika, lembrando as salas cheias com mais de uma centena de espectadores.

Nas escolas, durante dois meses houve formação teórica e prática e o resultado é “Caso Arquivado”, curta desenvolvida por alunos do 12º ano da Escola Secundária de Pombal. “Vai surpreender muita gente, tendo em conta que é o primeiro trabalho deles”, antecipa o diretor, que é também realizador. “As pessoas estão à espera que seja algo tipo TikTok mas é melhor do que alguns [filmes] candidatos que recusámos…”.

Por estes dias, HaHaArt Film Fest tem “concorrência” dos consolidados festivais Caminhos, em Coimbra, e LEFFEST, em Lisboa e Sintra. Mas Carlos Calika confia no poder do humor para atrair espectadores e fazer com que o futuro sorria ao HaHaArt Film Festival.

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