Procurar
Assinar

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais

DGS recomenda maior acesso à contraceção para evitar gravidezes não desejadas

No ano passado, foram realizadas 257 interrupções voluntárias da gravidez no Centro Hospitalar de Leiria.

“Aumentar o acesso das mulheres e homens à contraceção, evitando as gestações não desejadas” e “apostar na formação dos profissionais de saúde envolvidos em Saúde Sexual e Reprodutiva, nomeadamente em temas relacionados com as diferentes culturas, nas formas como a fertilidade e a contraceção são percecionadas e vivenciadas, para que o aconselhamento seja adequado” são recomendações que resultam do Relatório de Análise dos Registos das Interrupções da Gravidez (IG) em 2022, divulgado na última semana pela Direção-Geral da Saúde.

O balanço aponta para uma subida de 15% no número de IG realizadas em Portugal em 2022 face a 2021 (16.471 contra 14.348), principalmente motivado pelo aumento de interrupções da gravidez por opção da mulher nas primeiras dez semanas de gestação, o que inverteu a evolução decrescente que vinha a ser registada desde 2011.

Em 2022, foram contabilizadas 15.870 interrupções voluntárias da gravidez (IVG), mais 2.088 do que em 2021, das quais 257 ocorreram no hospital de Leiria.

Quase metade das mulheres (49%) que interrompeu voluntariamente a gravidez em 2022 tinha entre 20 e 29 anos de idade.

Foram ainda registadas 5.494 IVG na faixa dos 30 aos 39 anos (42,4%), e 1.224 acima dos 40 anos, número ultrapassado pelos 1.324 procedimentos efetuados por adolescentes entre os 15 e os 19 anos. O relatório reporta ainda 41 IVG entre menores de 15 anos.

Quando ao procedimento mais utilizado na IVG prevalece o medicamentoso, que atingiu os 98,9% nas unidades públicas de saúde. Já nas privadas, predominaram as intervenções cirúrgicas (95,3%), refere ainda o relatório.

A maioria dos abortos voluntários (68,4%) continuou, por sua vez, a realizar-se em instituições públicas e os restantes (31,4%) em unidades privadas.

O documento revela também que 11.286 IVG foram efetuadas por mulheres de nacionalidade portuguesa (71,1%) e 4.582 por mulheres estrangeiras (28,9%). Na grande maioria dos casos, o recurso a esta opção foi tomado pela primeira vez.

Já “nas situações das mulheres que repetem o aborto mais do que uma vez, é importante um olhar atento, no sentido de perceber que condicionalismos sociais, económicos, culturais e que condições de acesso o poderão justificar”, explana o relatório, ao frisar a importância de garantir “a gestão dos stocks e a distribuição efetiva dos meios contracetivos” sem descontinuidade. Alerta ainda para eventuais constrangimentos no acesso a contracetivos por parte dos “grupos mais frágeis e economicamente mais vulneráveis, como as adolescentes, migrantes e agregados com maiores dificuldades económicas e sociais”.

Realizadas 257 IVG no hospital de Leiria

  • 257 é o número de interrupções voluntárias da gravidez (IVG) realizadas, em 2022, no Centro Hospitalar de Leiria. Segundo o relatório divulgado na última semana, este total corresponde a 1,6% do balanço nacional que se cifra em 15.870.
  • 15% é o aumento registado de IVG em Portugal, entre 2021 e 2022. Em 2021, foram contabilizados 13.782 procedimentos.
  • 49% das IVG (7.777) foram realizadas por mulheres entre os 20 e os 29 anos de idade.
  • 543 interrupções da gravidez foram motivadas por grave doença ou malformação congénita do nascituro. Este é o segundo principal motivo de interrupções da gravidez (IG) reportadas em 2022