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Emissário da Foz do Arelho com proteção a descoberto mas sem risco de rutura

A autarquia está a fazer uma intervenção de emergência para proteger a conduta que transporta esgotos tratados até ao mar.

FOTO: CM Caldas da Rainha

Parte da proteção do emissário submarino da Foz do Arelho está a descoberto, devido à erosão agravada pelo mau tempo, mas a câmara das Caldas da Rainha considerou hoje não haver risco de rutura.

“Parte dos geocilindros de proteção do emissário submarino de descarga da Foz do Arelho, colocados em abril de 2025, encontra-se exposta ao longo de uma faixa de cerca de 200 metros, junto aos Cais da Lagoa”, informou hoje a autarquia, que, desde domingo, está a efetuar uma intervenção de emergência para proteger a conduta que transporta esgotos tratados até ao mar.

De acordo com esta autarquia do distrito de Leiria, a “situação não oferece preocupação, dada a elevada resistência do material em causa, nem está em risco a integridade das tubagens neste local”.

Os geocilindros – tubos geotêxteis que cobrem o emissário – foram instalados naquele local para proteger a tubagem, evitando ruturas na conduta e possíveis descargas provocadas pela forte erosão e instabilidade de sedimentos.

Em comunicado, a Câmara das Caldas da Rainha informou que “a situação tem sido acompanhada de perto pelos técnicos da Águas do Tejo Atlântico SA”.

A forte erosão verificada na embocadura da aberta [canal que liga a Lagoa de Óbidos ao mar], no entanto, “poderia colocar em risco a segurança e integridade desta importante infraestrutura operacional, o que motivou a intervenção de emergência que os dois municípios ribeirinhos, das Caldas da Rainha e de Óbidos, iniciaram no domingo, para deslocalizar este canal para sul.

“O recuo do perfil de praia, a um ritmo de vários metros por dia, agravado pela passagem das depressões Leonardo e Marta, assumiu proporções preocupantes para a estabilidade do sedimento que sustenta a tubagem do emissário submarino, ao longo do seu percurso desde o Cais da Lagoa até à extremidade Oeste da Avenida do Mar”, justificou a autarquia.

A obra de deslocalização da aberta em curso visa, por isso, proteger o litoral costeiro e salvaguardar o emissário submarino de descarga da Foz do Arelho, ainda que o município e as entidades envolvidas na tomada de decisão “estejam cientes de que o contexto ambiental altamente dinâmico e condicionado por múltiplas variáveis naturais poderá influenciar negativamente os resultados esperados”, conclui o comunicado.

No domingo, o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Vítor Marques, disse à Lusa que, com autorização da APA, que tutela a Lagoa de Óbidos, as duas autarquias avançaram com a intervenção para recolocar a aberta mais a sul, através da retirada de areia “com ‘dumpers’ (escavadoras), ‘bulldozers’ (máquinas de terraplanagem) e giratórias contratadas pelos municípios”.

A intervenção, que “deverá rondar os 50 mil euros”, é custeada pelas duas autarquias, e, segundo Vítor Marques, “deverá demorar cerca de uma semana, se as condições meteorológicas o permitirem”.

A Lagoa de Óbidos é o sistema lagunar costeiro mais extenso da costa portuguesa, com uma área de 6,9 quilómetros quadrados que fazem fronteira terrestre com o concelho das Caldas da Rainha a norte (freguesias da Foz do Arelho e do Nadadouro) e com o concelho de Óbidos a sul (freguesias de Vau e de Santa Maria).

A abertura da lagoa ao mar tende a fechar-se naturalmente devido à deposição de sedimentos, comprometendo a renovação da água, a qualidade dos habitats, a conservação das espécies e as atividades económicas dependentes do bom estado ecológico do ecossistema, como a pesca, a mariscagem e o turismo.

Por esse motivo, torna-se frequentemente necessária intervenção mecânica para garantir e manter essa comunicação com o mar, intervenção para a qual as duas autarquias ribeirinhas das Caldas da Rainha e de Óbidos pedem regularmente a intervenção da APA.