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Filipe Duarte Santos: “Os fenómenos extremos serão mais intensos e mais destrutivos”

O especialista em alterações climáticas e presidente do CNADS, Filipe Duarte Santos conhece profundamente a região de Leiria e elenca a combinação de fatores que tornam a costa portuguesa particularmente vulnerável. Em entrevista ao REGIÃO DE LEIRIA, defende a importância estratégica da reflorestação das matas litorais

FOTO: Inês Monteiro

As tempestades recentes afetaram em especial o centro do país. Há alguma razão que explique porque foi esta a zona mais atingida?
Que eu saiba não existe nenhuma razão especial. No caso do Leslie, por exemplo, tratou-se de um fenómeno muito raro. Quando chegou à costa portuguesa já não era um ciclone tropical, mas nasceu como ciclone tropical numa latitude mais elevada do que é habitual. Isso aconteceu porque as águas superficiais do Atlântico estavam muito quentes. Habitualmente nascem na região de Cabo Verde e atravessam o Atlântico em direção ao Golfo do México ou à costa leste dos Estados Unidos. Depois acabam por virar para leste e alguns chegam enfraquecidos à Europa. O Leslie teve um percurso diferente. Formou-se mais a norte e acabou por atingir Portugal. Tanto podia ter chegado à região de Leiria como ao Alentejo, ao norte do país, à Galiza ou a França.


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