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Leirienses terminam viagem na EN2 de Chaves a Faro em btt

Dupla chegou no dia 11 a Faro e celebrou junto ao marco do quilómetro 738, a distância entre Chaves e a capital algarvia.

Chegou ao fim a aventura de Agostinho Rodrigues e Sérgio Marcelino, dois leirienses que decidiram percorrer a Estrada Nacional 2 (EN2) de bicicleta, entre Chaves e Faro, contribuindo com uma verba para uma causa solidária.

O percurso começou a 23 de maio, quando saíram de Chaves, até Abrantes, a 30 de maio. A segunda etapa da viagem teve início a 7 de junho e foi concluída na última quinta-feira, dia 11, em Faro.

Concluído o projeto “Portugal de lés a lés em bicicleta btt pela EN2”, os dois atletas, da Maceira e Carreira, contam ao REGIÃO DE LEIRIA detalhes desta aventura inesquecível, mas também muito enriquecedora.

“No dia 11 de junho de 2026 realizámos a 13.ª e última etapa do projeto solidário “Portugal de Lés a Lés em bicicleta BTT, através da Estrada Nacional 2”, ligando Almodôvar a Faro, até ao quilómetro 738 da mítica estrada que atravessa Portugal de Norte a Sul.

Esta derradeira jornada levou-nos a percorrer cerca de 80 quilómetros, num percurso exigente, marcado por uma altimetria considerável, longas subidas e descidas, temperaturas muito elevadas e um enorme desgaste físico e mental acumulado ao longo de todo o projeto. Apesar do cansaço, a motivação manteve-se intacta, alimentada pela proximidade do objetivo que perseguíamos há tanto tempo.

Partimos de Almodôvar e rapidamente iniciámos a travessia da magnífica serra do Caldeirão, uma das mais emblemáticas paisagens do sul do país. Ao longo do percurso passámos por vários miradouros naturais, entre os quais o miradouro do Bispo, que nos proporcionou vistas deslumbrantes sobre as serras e vales envolventes. Cruzámos ainda localidades como Atalaia, Alportel e São Brás de Alportel, já em pleno Algarve.

A paisagem foi mudando gradualmente à medida que avançávamos para sul. As extensas planícies alentejanas deram lugar às encostas da serra, aos sobreiros, às linhas de água, às pequenas barragens e aos vales que caracterizam esta região de transição. O calor intenso acompanhou-nos durante praticamente todo o percurso, tornando cada quilómetro ainda mais desafiante.

Mas, acima de tudo, esta etapa ficará para sempre gravada na nossa memória pela chegada ao quilómetro 738. Quando finalmente avistámos o final da Estrada Nacional 2, a emoção tomou conta de nós. A sensação foi simplesmente indescritível. Depois de tantos quilómetros percorridos, tantas horas de bicicleta, tanto esforço, sacrifício, desgaste físico e mental, chegámos ao fim.

Houve abraços, sorrisos, lágrimas e momentos de silêncio difíceis de explicar por palavras. Não celebrávamos apenas a conclusão de uma viagem; celebrávamos a concretização de um sonho e a certeza de que todo este esforço serviu um propósito maior: ajudar quem mais precisa.

Na nossa cabeça, o objetivo nunca esteve verdadeiramente em causa, mas a verdade é que custou muito. Houve dias difíceis, momentos de fadiga extrema e desafios constantes. No entanto, nunca desistimos. A força de vontade, a amizade, o espírito de equipa e a solidariedade permitiram-nos superar todas as dificuldades até alcançar esta dura mas extraordinária vitória.

Queremos deixar um profundo agradecimento a todos aqueles que nos acompanharam ao longo desta aventura. Aos familiares, amigos, apoiantes, seguidores e a todos os que, de uma forma ou de outra, contribuíram para que este projeto fosse possível, o nosso muito obrigado. O vosso apoio foi uma fonte permanente de motivação e uma ajuda fundamental para atingirmos este objetivo.

Chegados ao quilómetro 738, terminou a viagem, mas os valores que a inspiraram — solidariedade, amizade, entreajuda, perseverança e esperança — continuarão connosco muito para além da meta final”, conta Agostinho Rodrigues.

Mas a viagem tinha também um objetivo solidário. Por cada quilómetro percorrido um euro reverterá para uma causa solidária. A empresa Lusical (em Alcanede), onde Agostinho Rodrigues trabalhou antes de se reformar, contribuiu para este fim e agora a receita alcançada será aplicada na totalidade para ajudar alguém da região, na reconstrução de uma casa afetada pela tempestade Kristin, na compra de eletrodomésticos ou outro bem.

Segue-se o “descanso dos guerreiros”, conclui Agostinho Rodrigues.