A Policia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Centro, deteve, na terça feira, dia 7, cinco suspeitos de um grupo criminoso que terá lucrado milhões com a regularização fraudulenta de milhares de imigrantes.
As detenções ocorreram no âmbito de uma operação policial nas zonas de Pombal, Alcobaça, Cantanhede e Porto, “com vista ao desmantelamento de um grupo criminoso organizado, dedicado à prática reiterada dos crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal, corrupção, branqueamento de capitais e falsificação de documentos”, refere a PJ, em comunicado.
A operação “Neblina Atlântica” levou à detenção de dois homens e duas mulheres, com idades entre os 33 e os 55 anos e sem antecedentes criminais, em cumprimento de mandados de detenção fora de flagrante delito, e à constituição de outros 15 arguidos.
Entre os suspeitos do grupo encontravam-se o chefe de um serviço de Finanças da região Centro, uma contabilista, uma empresária em nome individual e um empresário da área da silvicultura, adianta o diretor da Diretoria do Centro, Avelino Lima, à agência Lusa.
Foi ainda detido, em flagrante delito, um homem, pela prática do crime de detenção de arma proibida.
Em comunicado, a PJ destaca que através da investigação, com início em setembro do ano passado, verificou-se que o grupo criminoso “dedicava-se à legalização fraudulenta de milhares de cidadãos estrangeiros, em Portugal, ao longo de vários anos”.
Segundo Avelino Lima, os suspeitos apresentavam-se aos migrantes como “um prestador de serviços” a operar legalmente, cobrando 200 euros por cada processo iniciado.
Mediante as necessidades de cada processo de regularização, o grupo cobrava outros valores, para serviços como a criação do número de identificação fiscal, o registo de contratos de trabalhos em empresas, “umas reais, outras fictícias” ou ainda a qualificação como trabalhadores a título individual, passando recibos verdes, afirma o diretor da PJ do Centro, reforçando que, apenas uma das empresas envolvidas do empresário detido, terá sido responsável pela emissão de recibos verdes no valor de 1,5 milhões de euros.
Os imigrantes, “na expectativa de alcançarem uma vida melhor”, dispunham-se a pagar elevadas quantias monetárias para obter a documentação necessária à instrução dos respetivos processos de regularização.
A “grande maioria” dos imigrantes clientes do grupo criminoso “não está sequer em Portugal”, encontrando-se sobretudo a viver na Bélgica, França e Suíça, afirmou o responsável da PJ do Centro, citado pela agência Lusa.
Avelino Lima sublinha que poderão estar em causa perto de dez mil imigrantes associados ao grupo criminoso, mas admite que o número ainda está a ser apurado, dado que há processos iniciados em 2022.
No entanto, apenas uma das pessoas detidas “era representante de mais de 3.500 imigrantes”, salientou.
Durante as 16 buscas realizadas no âmbito da operação, foi apreendido “um vasto acervo documental relacionado com processos de regularização irregular de cidadãos estrangeiros, equipamento informático, três armas de fogo e cerca de 50 mil euros em numerário”.
A operação contou com a participação de 90 inspetores e especialistas da PJ e com a colaboração operacional e técnica da Diretoria do Norte, dos Departamentos de Investigação Criminal de Leiria, Aveiro e Guarda, bem como da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática, da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística e da Unidade de Armamento e Segurança, da PJ.
Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial, onde serão aplicadas as medidas de coação consideradas adequadas.