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Universidade de Leiria e Oeste aponta pleno funcionamento para 2030

O processo contempla passos como a discussão interna dos novos estatutos, a criação de grupos de trabalho ou a definição do roteiro de instalação até janeiro de 2027.

FOTO: Joaquim Dâmaso

A Universidade de Leiria e Oeste (ULO), que sucede ao Politécnico de Leiria, ficou hoje formalmente criada, num dia que o presidente da instituição considerou “verdadeiramente histórico” e que culminará com o pleno funcionamento em 2030, desejou Carlos Rabadão. 

“É um dia verdadeiramente histórico. É o dia da criação da Universidade de Leiria e Oeste, formalmente. O próximo dia histórico será a entrada em funcionamento, com a posse dada pelo senhor ministro [da Educação] à comissão instaladora. E [outro] será daqui a quatro ou cinco anos, quando encerrarmos a comissão instaladora e a universidade estiver em pleno funcionamento”, afirmou à agência Lusa o presidente do Politécnico de Leiria. 

Hoje decorreu a sessão pública de apresentação da Agenda de Transformação da ULO, que tem várias fases até ao pleno funcionamento da nova universidade, previsto para um ano antes do limite permitido pelo regime de instalação.

“O limite máximo definido são cinco anos. Estamos a apontar para quatro anos. [Mas] Os desafios são muitos”, assumiu Carlos Rabadão.

A primeira metade de 2026 “está passada, a definir a estratégia” e agora, nos próximos anos, há que “ir adequando a nossa oferta formativa e construir estas comunidades [de conhecimento e inovação]”, previstas na agenda. 

O processo contempla passos como a discussão interna dos novos estatutos, a criação de grupos de trabalho ou a definição do roteiro de instalação até janeiro de 2027.

Mas, mesmo havendo “muito trabalho por fazer” e prevendo-se “próximos meses intensos, porque queremos envolver muita gente”, “a nossa expectativa é que seja daqui a quatro anos letivos – ou, se não for, será daqui a cinco”. 

“Somos otimistas, vamos tentar que seja em quatro anos para, de alguma forma, devolver a legitimidade à comunidade de escolher os líderes. Nesta fase de instalação, parte das estruturas serão nomeadas, mais a nível central, e quanto mais rapidamente devolvermos isso à comunidade, melhor”, sublinhou.

A Agenda de Transformação da ULO contempla a formação de 21 grupos de trabalho multidisciplinares, com mais de 1.200 pessoas da comunidade académica, sociedade civil, instituições e empresas, a que se junta cerca de uma centena de entidades nacionais e estrangeiras.

Perante um auditório lotado, na Escola Superior de Gestão e Tecnologia, o responsável disse hoje que a ULO quer ser “uma universidade distinta” e não “ser mais uma universidade”. 

Rabadão assumiu “alguma mágoa” por só agora o Politécnico de Leiria conseguir concretizar a “ambição com muitas décadas”, enquanto “outros politécnicos foram criados em universidades”. 

“Este vasto território, que vai entre o sul do distrito de Coimbra e Lisboa, que tem mais de 700 mil habitantes e é um território industrial muito vibrante, ficou para trás”, lamentou. 

Mas, “agora repôs-se a justiça”, defendeu, pedindo aos presentes que se juntem “a este desígnio de transformar esta instituição numa referência não só regional, mas nacional e até europeia”.

O Politécnico de Leiria iniciou a sua atividade em 1980. Tem cinco escolas superiores, três das quais em Leiria (Tecnologia e Gestão, Saúde, e Educação e Ciências Sociais), uma nas Caldas da Rainha (Artes e Design) e outra em Peniche (Turismo e Tecnologia do Mar).

A Escola Superior de Saúde vai continuar em regime de politécnico, tal como a Escola Politécnica ULO, a criar.

Possui ainda núcleos de formação e 15 unidades de investigação. A sua comunidade académica integra 14.500 estudantes e cerca de 1.650 professores, investigadores, técnicos e administrativos.