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Livro resgata a epopeia dos neveiros e valoriza património único do Coentral

O autor explicou que o livro resulta de vários anos de investigação sobre os Poços da Neve do Coentral, complementada com pesquisa em Portugal e no estrangeiro.

O autor defende a reclassificação da Capela de Santo António e dos Poços da Neve do Coentral para Monumento Nacional

A epopeia dos homens que, durante séculos, desafiaram os rigores do inverno para abastecer Lisboa de neve e gelo voltou a estar em destaque com a apresentação do livro “Neveiros: A Fantástica História dos Poços de Neve, do Gelo e do Gelado”, do antropólogo Manuel António Cepas Rebelo.

A sessão decorreu a 2 de agosto, na Feira do Livro de Castanheira de Pera, no ano em que se assinalam os 40 anos da classificação da Capela de Santo António e dos Poços da Neve do Coentral como Imóvel de Interesse Público.

Na abertura, o presidente da Câmara, António Henriques, sublinhou que o lançamento integrou uma edição renovada da Feira do Livro, dedicada à valorização da cultura, dos costumes e das gentes do concelho de Castanheira de Pera.

O historiador Luís Cunha classificou a obra como um importante contributo para preservar a memória dos neveiros, destacando o rigor da investigação e a capacidade de integrar a história local na história da civilização. Defendeu ainda que os poços da neve testemunham a engenhosidade das comunidades serranas e constituem um património que importa preservar.

Manuel António Cepas Rebelo explicou que o livro resulta de vários anos de investigação sobre os Poços da Neve do Coentral, complementada com pesquisa em Portugal e no estrangeiro. O objetivo foi enquadrar este património numa tradição milenar de armazenamento e transporte de gelo, ligando a Serra da Lousã à Real Fábrica do Gelo de Montejunto, à Serra da Estrela e a exemplos da Pérsia, Itália e Estados Unidos.

De acordo com o autor, a obra pretende proporcionar uma compreensão mais profunda deste património, mostrando que os poços da neve representam muito mais do que construções em pedra: testemunham uma rede económica, social e cultural que marcou durante séculos a história da refrigeração, da gastronomia e da conservação dos alimentos.