O que é possível aprender com uma tempestade? Adiada para o final do ano devido aos efeitos da depressão Kristin, a Versátil – Feira do Livro de Leiria vai debruçar-se sobre as relações que sustentam uma comunidade, a partir de um evento traumático. Para tal, estão convidados mais de quatro dezenas de escritores, músicos e outros artistas e pensadores que se repartem por conversas, encontros, apresentações, concertos, oficinas e outras atividades, entre este sábado, 31 de outubro, e 8 de novembro.
Sob o tema “O comum”, esta terceira edição da Versátil parte da experiência destruidora vivida na região no início do ano para “discutir a importância da cultura, da comunidade e dos espaços que partilhamos”, explica o município de Leiria.
Teolinda Gersão, José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Rui Zink, Isabela Figueiredo, Helena Roseta, Catarina Sobral, Luísa Sobral, Sérgio Godinho ou José Peixoto são alguns dos mais de 40 autores que participam na Versátil.
Num conjunto de encontros promovidos pelo festival, promove-se a discussão sobre “questões que atravessam o quotidiano”:
“Como habitamos o território, como nos relacionamos com os outros e como cuidamos daquilo que pertence a todos” são eixos atravessa a Versátil.
Após as tempestades que atingiram Leiria no início de 2026, “a experiência da perda, os gestos de entreajuda e as dificuldades da reconstrução tornaram mais visíveis as relações que sustentam uma comunidade”. É dessa realidade que parte a programação, “da necessidade de escutar, compreender outras experiências e encontrar formas de agir em conjunto”, detalha a organização.
Entre as conversas com autores, realce para as mesas que vão juntar Patrícia Portela e Anabela Mota Ribeiro, Isabela Figueiredo e Hugo Gonçalves, Gonçalo M. Tavares e o analista político José Gomes André, Helena Roseta e Isabel Lucas, José Luís Peixoto e Paulo Moreiras, Filipa Martins e Luís Sobral e André Pereira e Rui Zink.
A Versátil conta ainda com um conjunto relevante de atividades para jovens leitores e estende-se a outras artes, com dança, poesia sonora experimental, videoarte, cinema, além da música.
Letra na noite de sábado
Incluída na programação da Versátil está a terceira edição da mostra de poesia sonora Letra. Concentrada numa noite no Teatro Miguel Franco, a proposta da Paper View e do seu departamento sonoro Hear Say centra-se este ano no binómio homem-máquina, “entre o conflito e a cooperação e a procura de escrever e dizer textos nesse limbo”, avança a organização.
Em Leiria será possível assistir a performances de artistas de Itália, Áustria, Portugal e Noruega. Pelo palco vão passar Jörg Piringer, Ottar Ormstad, Giovanni Fontana e Nuno M. Cardoso.
Na noite de sábado, dia 31 (21h30, 7,5, M6), “a poesia sonora dá primazia ao som e à palavra liberta da página”.
Primeiros destaques
31 de outubro
“O comum” é o mote para a conversa de abertura da, com o comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, e a socióloga e a jornalista Luísa Schmidt, no Centro de Artes Villa Portela (16h30). No Teatro José Lúcio da Silva é apresentado o livro “Coreografias: Ensaios sobre dança e filosofia”, de Né Barros (17h30). Depois, há concerto de Sérgio Godinho e Júlio Resende na Black Box (18h, já esgotado). À noite, Letra – Monstra Internacional de Poesia Sonora no Teatro Miguel Franco
3 de novembro
Primeiros encontros entre autores e jovens, com Maria Inês Almeida (10h30) e António Mota (14h30) no Mercado de Santana. A escritora conversa sobre o livro “Os Walkers”, enquanto António Mota apresenta “As mãos das mães”
4 de novembro
Miriam Gonçalves apresenta “Os piratas do quintal” aos mais novos (10h30), enquanto David Machado fala de “Os reis do mar” (14h30) no Mercado de Santana. À tarde e à noite é exibido no Teatro Miguel Franco o filme “Sophia Setembro de 1963”, de Hugo Pereira e Vanessa Duarte (18h30 e 21h30)
A Versátil decorre até 8 de novembro. Programação online em leiriagenda.cm-leiria.pt e em PDF aqui.



