Filipa Carvalho é instrutora de zumba há 14 anos. Até à semana passada, tinha um horário bem composto com aulas, mas na manhã de dia 29 de janeiro ficou sem nada para fazer.
“Neste momento estou sem qualquer tipo de trabalho, de fonte de rendimento. A associação onde dou aulas, a SIR 1º Maio, tinha recuperado o salão há um mês, mas a sala foi afetada com o temporal e a direção [da coletividade] já disse que vai demorar [a recuperar]. O pavilhão que era utilizado sobretudo para o andebol está afetado, no telhado, mas há uma parte que ainda está a servir a população para banhos e refeições”, conta ao REGIÃO DE LEIRIA, numa conversa a partir da Marinha Grande, marcada ainda por muitas dificuldades nas comunicações.
Este sábado, dia 7, Filipa Carvalho realiza uma ação solidária, uma aula de zumba, nos bombeiros voluntários de Caldas da Rainha, às 16 horas, com a participação de vários instrutores, que se associaram à causa.
Neuza Saramago foi a mentora do evento e a marinhense Filipa Carvalho diz que só lhe pode agradecer: “Desde o primeiro momento que tem estado ao meu lado, a oferecer-me a casa para banho, para sair daqui e ir para as Caldas desanuviar, tem sido uma amiga instrutora com que me cruzei na vida”.

Questionada como será o futuro, Filipa Carvalho lembra que existe a possibilidade de retomar aulas online, como na pandemia Covid-19, ou dar aulas em espaços como garagens, que não tenham sofrido danos.
Considera que “esta situação é pior que a Covid-19, porque estamos dependentes de infraestruturas e não sabemos quanto tempo vamos ter de esperar até estar tudo resolvido”. A também professora de natação dá como exemplo as piscinas de Pataias (Alcobaça) e Municipais de Leiria, que sofreram estragos avultados e que não se sabe quando ficaram ativas.
“Para mim é importante estar ativa não só fisicamente, mas muito psicologicamente. Toda esta situação a nível emocional deixa-me muito instável. Há custos mensais que tenho de suportar, como todos os que sofreram com a tempestade”, conta, sem conseguir conter as lágrimas.
“Neste momento, o que quero é ajudar a minha coletividade a se reerguer para voltar ao ativo e também proporicionar aos meus alunos uma energia, porque todos nós precisamos e todos fomos afetados por esta tempestade”, afirma, lembrando que, como muitas outras pessoas, tem ainda o filho, de 7 anos, que “também precisa de todo o apoio”.
Além das duas professoras de zumba, participam ainda no evento solidários os instrutores Daniel Barreto, Andreia Oliveira, Hugo Ferreira e Joana Fragoso.
A participação custa 10 euros e a verba angariada vai reverter na totalidade para a comunidade afetada pela depressão Kristin na zona da Marinha Grande. Os participantes podem ainda entregar bens alimentares e não alimentares, que serão encaminhados para o Município da Marinha Grande e entregues a quem mais precisar.