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Árvores caídas são principal preocupação dos bombeiros no combate aos incêndios

Após a depressão Kristin, a carga combustível no solo aumentou significativamente e há acessos ainda obstruídos.

Incêndio em Chãs, Leiria, em zona florestal, em março FOTO: Joaquim Dâmaso

Com o aproximar da época de incêndios, o foco das corporações de bombeiros torna-se evidente: as árvores caídas, que aumentam o risco de carga combustível no solo e obstruem acessos em zonas florestais. Em terrenos onde o desafio já era grande, a tempestade Kristin veio aumentar a fasquia.

Mário Silva, 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande (BVMG), sublinha a importância de tratar o material combustível: “Diria que se não for retirado o combustível das copas das árvores que agora está todo no chão, aumenta o risco da carga combustível no solo, o que é sempre uma preocupação”.

Em relação aos acessos, adianta que os caminhos principais “estão quase todos resolvidos” e a situação deverá ficar sanada até ao início da época mais crítica, na área da Mata Nacional. O responsável acredita que nos terrenos privados “é capaz de demorar mais”. “Tem que passar algum tempo até a autarquia se substituir ao particular, mas como não há mãos a medir, diria que não vão ficar todos libertos este ano, nesta época de incêndios rurais”.

Também em Leiria, no quartel dos Bombeiros Voluntários da Maceira (BVM), este é o maior receio. De acordo com o comandante, António Faustino, está a ser feita uma avaliação das áreas afetadas para perceber que bloqueios ainda persistem nos acessos. Para isso têm estado equipas no terreno que, com recurso a drones, verificam o estado dos caminhos.

“O nosso foco, neste momento, é ver com que caminhos é que podemos contar, mas temos muita matéria orgânica acumulada, fora dos caminhos, mas dentro das propriedades, que vai potenciar muito os incêndios”, acrescenta.

Nesta altura, outro dos desafios prende-se com o aumento do preço dos combustíveis verificado nas últimas semanas. Mário Silva considera que “não há ninguém que não esteja preocupado” e, no caso dos BVMG, embora a dificuldade já se faça sentir na conta final, o transporte de doentes, por exemplo, mantém-se sem alterações no valor cobrado.

O mesmo acontece em Maceira, onde esta é “uma preocupação enorme”, tendo em conta que “o consumo é muito elevado”. Também aqui os serviços à população têm-se mantido sem mudanças no preço e António Faustino espera que o Governo possa disponibilizar um apoio extra.

No que diz respeito aos recursos humanos, ambas as corporações vão manter o dispositivo do ano passado.

Posto isto, coloca-se a questão: Estamos preparados para o verão e o combate aos incêndios?

“Nunca estamos preparados para tudo. De qualquer forma, o esforço que fizemos foi, junto de todas as entidades que têm valências no combate, melhorar o mais possível o dispositivo de combate a incêndios”, diz Carlos Guerra, comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Leiria, justificando que os problemas resultantes da tempestade “não dependem das forças de combate”.

Os meios que vão integrar o dispositivo de combate a incêndios do Comando Sub-regional de Leiria só vão ser apresentados no início de maio, estando prevista a entrada de quatro novas equipas face a 2025.

A produção deste artigo é apoiada por uma bolsa do projeto Climate Frontline, liderado pelo EJC, em parceria com a REVOLVE


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