Um conjunto de obras de 28 artistas que integram a Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE) é apresentada na exposição “Corpo-Fantasma”, que reabre o Centro de Artes Villa Portela (CAVP), em Leiria, no dia 22.
Encerrado desde o dia 28 de janeiro devido aos estragos provocados pela depressão Kristin, o CAVP volta a ter atividade a partir do Dia do Município de Leiria, com a inauguração da exposição que integra obras de pintura, escultura, fotografia e vídeo, sob curadoria de Marta Espiridião.
O complexo, que inclui jardins e dois edifícios principais, foi alvo de uma profunda intervenção, avançou o município de Leiria em comunicado.
Os trabalhos consistiram em intervenções como a reparação de estruturas, requalificação de espaços expositivos e reposição de condições técnicas necessárias para o acolhimento de programação cultural.
Também nos jardins houve uma profunda intervenção, após o mau tempo ter provocado a queda ou danos em mais de 150 árvores.
O município explicou que a reabertura “assume um significado particularmente simbólico”, por permitir o regresso à atividade “após os graves danos provocados pela violenta tempestade Kristin, que obrigaram ao seu encerramento temporário”.
“A reabertura do Centro de Artes Villa Portela representa não só a recuperação de um espaço físico, mas também o reforço do nosso compromisso com a cultura enquanto pilar essencial da vida coletiva e do desenvolvimento do território”, afirmou a vereadora da Educação e da Cultura da Câmara de Leiria, Anabela Graça, citada em comunicado da autarquia.
A nova exposição, que chegou a ter como data de inauguração o dia 28 de fevereiro, foi adiada para um momento em que as condições estivessem restabelecidas.
Adriana Proganó, Bruno Zhu, Cindy Sherman, João Gabriel, Lourdes Castro, Maria José Palla ou Mariko Mori são alguns dos artistas da CACE representados em “Corpo-Fantasma”, que se desenvolve em torno da espectralidade.
Segundo informação do município, a exposição propõe “o fantasma como metáfora que evoca o que já passou e antecipa o que está por vir”.
“Através de um percurso livre e não linear, as obras exploram o território entre o visível e o invisível, onde a figura humana se constrói na tensão entre presença e ausência”, lê-se na descrição.
O facto de ocupar um espaço recentemente recuperado, a Villa Portela, confere à proposta “uma dimensão acrescida”, já que estabelece “um diálogo direto com temas como memória, perda e renovação, sublinhando o papel da arte contemporânea enquanto instrumento de reflexão crítica e transformação”.
Anabela Graça considerou que a proposta expositiva neste momento pós-calamidade “é particularmente significativa”.
“Convida-nos a refletir sobre memória, resiliência e futuro, valores que se cruzam com o próprio percurso recente deste espaço”.
“Corpo-Fantasma” tem inauguração agendada para as 17 horas de dia 22, feriado municipal e dia em que reabrem outros espaços culturais da cidade, como o Castelo de Leiria.