Leiria é candidata a Capital Portuguesa da Cultura 2028, anunciou hoje o município, que pretende afirmar-se “como um espaço de encontro, criação e futuro”, justifica o presidente da câmara, Gonçalo Lopes.
A decisão foi comunicada após a aprovação da iniciativa, “por unanimidade”, pelo Conselho Municipal de Cultura, numa sessão que juntou quatro dezenas de representantes de associações, instituições culturais, entidades educativas e outros agentes do setor, avançou a autarquia.
Na nota divulgada pela Câmara Municipal, Gonçalo Lopes explica o projeto pretende “afirmar Leiria e a sua região como um espaço de encontro, criação e futuro, colocando a Cultura no centro do desenvolvimento humano, social e territorial”.
Para a vereadora da Educação e Cultura de Leiria, Anabela Graça, a candidatura de Leiria “será tão forte quanto a capacidade de mobilização da comunidade que a sustenta”.
“Contamos com todos para participar neste processo e para ajudar a construir um projeto coletivo capaz de afirmar Leiria e a região como um território de criação, participação e futuro”, acrescenta.
Leiria, que ficou pelo caminho na corrida a Capital Europeia da Cultura (CEC) 2027, quer agora “projetar um território reconhecido pela sua identidade cultural, capacidade criativa e dinâmica participativa”, gerando “impacto duradouro no concelho e na região”, ao mesmo tempo que ambiciona “projetar a região no contexto nacional e internacional”.
A aposta “valoriza uma comunidade aberta, inclusiva e plural”, num “ecossistema cultural e criativo diversificado e uma forte tradição de criação, experimentação e inovação artística”.
Entre os trunfos, Leiria avança com “o reconhecimento internacional como Cidade Criativa da Música da UNESCO”, a “riqueza do património histórico e cultural” e “a recente integração do Abrigo do Lagar Velho/Criança do Lapedo na Marca do Património Europeu”, distinção que “reforça a relevância do território no contexto cultural europeu”.
Em paralelo, identificam-se “condições particularmente favoráveis”, como a existência do Plano Estratégico Municipal para a Cultura, desenhado para a candidatura a CEC, a “rede qualificada de equipamentos culturais”, além de “um tecido associativo ativo e reconhecido, uma forte articulação entre cultura, educação e inovação e uma comprovada capacidade de mobilização comunitária”.
A candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028 é encarada como “um desafio coletivo e uma oportunidade para reforçar o posicionamento cultural de Leiria e da região, mobilizando instituições, criadores, associações e cidadãos em torno de uma visão comum para o futuro”, conclui a nota do município.
O projeto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, quando anunciou Évora como a cidade vencedora da candidatura a CEC 2027. O Governo de então indicou que as três cidades finalistas não escolhidas – Aveiro, Braga e Ponta Delgada – seriam, consecutivamente, Capital Portuguesa da Cultura.
A primeira edição decorreu em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, foi a escolhida para este ano.
A iniciativa recuperou um projeto do começo do século, quando Coimbra e Faro foram capitais nacionais da cultura, em 2003 e 2005, respetivamente.
Promovido pelo Governo, este concurso desafia os municípios portugueses a apresentarem programas culturais ambiciosos, sustentáveis e com impacto duradouro nos territórios.
O prazo de candidatura decorre durante 150 dias, a partir d 30 de abril, e a cidade vencedora será conhecida a 09 de dezembro de 2026.
À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de 1 milhão de euros (Ponta Delgada teve um acréscimo de 300 mil euros devido à insularidade).
O júri do concurso será presidido pelo antigo ministro Guilherme d’Oliveira Martins e vai integrar a subcomissária do Plano Nacional das Artes, Sara Brighenti, o empresário Álvaro Covões (indicado pela área do turismo) e Carla Barros, que faz parte da equipa da Casa da Arquitectura – Centro Português de Arquitetura (indicada pela administração local).