A nova Universidade de Leiria e Oeste (ULO) e o Ministério da Justiça estão a estudar um projeto para permitir a jovens reclusos estudantes frequentar o ensino superior, anunciou hoje o pró-presidente da instituição.
Na sessão pública de apresentação da Agenda de Transformação da ULO, que está em instalação a partir do Politécnico de Leiria, Agostinho Silva avançou que um dos projetos em desenvolvimento na nova universidade visa a “Inclusão pela ciência”, ambicionando ser “uma escola para presos que dê doutoramentos”.
O pró-presidente do Politécnico para a Cooperação Interinstitucional nos domínios do Desenvolvimento Regional e da Coesão dos Territórios, lembrou que “aqui, paredes-meias”, com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Leiria, onde decorreu a sessão, “está a prisão-escola [atual Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens]”.
“A génese daquela instituição [prisão-escola] era trazer para ali reclusos jovens numa lógica de os ensinar a fazer coisas, para que fossem capazes de, quando acabassem as suas penas, se integrarem no mundo do trabalho e com uma profissão”, recordou.
A ULO quer levar mais longe essa missão de inclusão social.
“Estamos a trabalhar com o Ministério da Justiça num projeto único à escala europeia, que permita que qualquer preso – cuja sua pena o permita – possa ser transferido para esta interface académica universitária, no sentido de poder, lá dentro, estudar no nível que quer e tiver competências académicas para o fazer”.
“Isto não existe na Europa, onde há apenas coisas pontuais, que também existem hoje aqui”, frisou Agostinho Silva.
A Agenda de Transformação prevê ainda a “expansão do ecossistema ULO”, com a criação de três novas Comunidades de Conhecimento e Inovação (CCI).
Em Leiria e Oeste Norte, onde o Politécnico tem já uma unidade de formação em Pombal, a aposta será na natureza, desporto, bem-estar e performance humana.
Para o território Oeste Sul, onde existe uma unidade de formação em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, estuda-se “o desenvolvimento de uma comunidade focada na bioeconomia, biotecnologia e biomedicina”.
Também a Serra de Aire e Candeeiros, em particular o território relativo ao concelho de Porto de Mós, é apresentada no documento como relevante “pelos seus recursos minerais e geológicos”, estratégicos também para a criação de uma CCI.
Outras novidades apresentadas, incluem a criação da Escola Politécnica ULO, congregando toda a atual oferta superior profissional e da ULO Leadership School – Escola de Liderança para a Transformação de Organizações, Territórios e Sociedade.
O Politécnico de Leiria iniciou a sua atividade em 1980. Tem cinco escolas superiores, três das quais em Leiria (Tecnologia e Gestão, Saúde, e Educação e Ciências Sociais), uma nas Caldas da Rainha (Artes e Design) e outra em Peniche (Turismo e Tecnologia do Mar).