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Ansiolítico urbano: Estamos na arena

Não apenas as casas e os carros! Em segunda mão (ou em que mão for) tudo se vende e não há estabelecimento ou pessoa, real ou virtual, que não o faça.

Ana Bonifácio, arquiteta urbanista ab@anabonifacio.com

Não apenas as casas e os carros! Em segunda mão (ou em que mão for) tudo se vende e não há estabelecimento ou pessoa, real ou virtual, que não o faça; reutilizam-se e trocam-se bens por experiências!; fazem-se descontos, campanhas-relâmpago e vivem-se momentos e oportunidades de acesso democratizado ao que não se compraria antes. Tudo ao dobrar a esquina ou (fácil!) à distância de uns cliques.

Alteraram-se os comportamentos de “compra e venda” e os padrões regulares de consumo. A compra deixou de ser uma simples aquisição e transformou-se – por causa da crise ou por causa do seu valor (efetivo ou afetivo) – em investimento.

Freemium ou synergize são duas das top marketing buzzwords para 2012 que ilustram, em parte 1) esta necessidade – feita obrigação – de se gerar criatividade e inovação nas transações e; 2) as reais tendências de consumo nas circunstâncias que todos conhecemos.

Se a cidade é a grande arena de consumo do presente e do futuro, este fenómeno tem, claro, repercussões na forma de a pensar, utilizar e gerir.

Esta cidade – e, aqui, o mesmo será pensá-la enquanto território de “troca” e enquanto mole humana que a usa e a decide – tem o desafio de se adaptar ao fenómeno sem perder as (ainda muitas) qualidades que a distingue como espaço singular. (E, naturalmente, que não falo em aumentar o passeio para cabermos todos à porta do Pingo Doce…).

(texto publicado na edição em papel de 11 de maio de 2012)