A tua saia é muito curta. As tuas calças estão demasiado justas. Não mostres tanta pele. Não mostres as coxas. Não mostres os seios. Não mostres a barriga. Mostra um pouco de pele. Mostra-te sexy. Não sejas demasiado gorda. Não sejas demasiado magra. Come. Emagrece. Pára de comer tanto. Meu Deus, pareces um esqueleto. Porque é que não comes?”.

É provável que já se tenha cruzado com este texto. Ele consta de um vídeo que, por estes dias, corre na internet e já se tornou viral. Tem por título “Be a lady they said” (“seja uma senhora disseram eles”) e é, na prática, uma campanha feminista da revista americana “Girls. Girls. Girls”.

Durante quase três minutos, uma atriz expõe as pressões a que as mulheres estão sujeitas diariamente, na aparência física, na maternidade, no campo sexual, em muitos domínios da vida.

O vídeo é fiel ao grau de exigência que se tem para com a mulher e é cómico ao apontar que, a elas, se exige tudo e o seu contrário.

A campanha está próxima da realidade. Só não é a realidade porque deixa a dúvida sobre quem são “eles”. É que a maior parte daquelas exigências não vem deles, vem delas. Vem das outras mulheres que impõem uma perfeição que sabem ser impossível de alcançar e vem das próprias mulheres, a quem o “espelho meu” insiste em dizer que há sempre outra “mais bela do que eu”.


Os milhões de visualizações alcançados pelo vídeo parecem indicar a eficácia desta campanha feminista. Será?

A ideia de que os homens são seres primários, que “não se conseguem controlar e têm necessidades”, como se refere no vídeo, não deixa de ser ofensiva para eles. É, além disso, um discurso contrário ao princípio da igualdade defendido pelo feminismo.

Que grande confusão que para aqui vai. O movimento feminista não preconiza a supremacia delas sobre eles, daí que uma campanha feita em seu nome não possa apresentar os homens como seres desprovidos de massa cinzenta, em que tudo se processa da cintura para baixo.

É a infantilização e desculpabilização do género masculino, é o perpetuar do estereótipo. Transfira-se esta ideia para o campo da agressão sexual e veja-se como ela iliba o agressor e legitima a violência sexual de homens para mulheres.

Verdade seja dita. Ainda que vistas e aplaudidas por milhões de pessoas, na prática, estas campanhas fazem muito pouco pela mudança de comportamentos. E a palavra feminista não está a ajudar.