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Rui Oliveira Alves

Advogado

Monte Miradouro: Coro meu

Mas neste mês de agosto, voltado das montanhas, deparo-me com a beleza do coro da minha paróquia serrana: as mesmas pessoas de sempre continuavam ali.

Todos procuramos amparo. No meu caso, tenho-o procurado no refúgio das montanhas: é irresistível ver famílias de animais selvagens no seu habitat a cuidarem uns dos outros, em condições mais inóspitas do que se possa imaginar; é impossível não pôr tudo em perspetiva quando se vê o nascer do sol do cimo das montanhas; é impensável voltar a adotar certos maneirismos quotidianos depois de se viver com as mãos na terra.

Mas neste mês de agosto, voltado das montanhas, deparo-me com a beleza do coro da minha paróquia serrana: as mesmas pessoas de sempre continuavam ali, mesmo depois da difícil fase de transição por que passaram. Voltou a M. J. para lhes emprestar o seu ânimo e carisma e contagiou-os a todos com uma vontade de fazerem ouvir a sua voz, tornando-a relevante, como sempre. E eis que naquele dia me comovi tanto ou mais do que nas montanhas, é que por aqui também sempre vivemos de mãos dadas com a terra.

Talvez o segredo da vida, ao contrário do que se pensa, esteja em ser-se selvagem, aceitando a nossa inevitável condição, sem perder o norte; é que ao largarmos a bússola corremos o risco de não-ser e esse é o pior de todos os cenários.

Como sintetiza J. Ratzinger, romper “com o nosso espaço experiencial e com a consciência da nossa identidade com tudo, conduz-nos à amplidão da realidade maior, e abre-nos assim a possibilidade de superar o pluralismo e de nos encontrarmos uns com os outros”.

Num coro, como nas montanhas estamos mais perto de uma qualquer revelação, é que ambos são verdadeiros acontecimentos.