Em 100 anos ou menos ninguém se lembrará de nós, de quem fomos, do que fizemos e do que deixamos para memória futura.
Os nossos familiares e amigos deixarão de nos recordar, porque os nossos filhos e netos também já não estarão por cá e apenas seremos um apontamento no fundo de uma gaveta ou um objeto à venda numa aplicação de velharias, sem relação com a nossa história, com o que vivemos, com o que sofremos ou com o que gozámos.
Tirando a esfera espiritual, que é sempre uma coisa muito pessoal, pouco rasto deixaremos por onde passarmos. Claro que um ou outro, mais brilhante, mais especial, perdurará na memória coletiva, porém, nós os comuns mortais, seremos não materializáveis neste mundo material.
Esta finitude deveria condicionar a nossa vida, permitindo que não nos levemos tanto a sério e percebendo que somos os protagonistas da nossa história, do que faz sentido para nós e pouco mais.
A percentagem daqueles que alcançam notoriedade suficiente para ultrapassar essa lei da morte de que falava Camões, é ínfima quando comparada com a maioria das pessoas.
A única solução será ser uma enzima catalisadora neste mundo, e tentar ser uma fonte de inspiração replicável para os que nos rodeiam, do que há de bom dentro de nós.
Acredito que o saber e a sua partilha são coisas que perduram no tempo e por isso os professores, e não só, merecem toda a minha admiração e respeito.
Também os valores constituem matéria passível de se espalhar por este mundo e o exemplo de como vivemos pode ser uma arma fortíssima para nos eternizarmos ainda que sem nome ou estátua em local público.
Pensem nisto por favor, diria que vai resultar. Em último caso, lá teremos que tentar um nome de uma rua ou de um beco. Já estou a ver: Travessa Helena Vasconcelos.