Procurar
Assinar

Subscreva!

Newsletters RL

Saber mais
Rosto de Francisco Rebelo dos Santos

Francisco Rebelo dos Santos

Diretor do REGIÃO DE LEIRIA

francisco.r.santos@regiaodeleiria.pt

Refugiados não são imigrantes

As motivações e as atitudes dos refugiados e dos imigrantes são diferentes e colocam desafios distintos, embora ambas as situações exijam preocupações inclusivas.

Quando olhamos para o fenómeno das migrações internacionais identificamos quem confunda refugiados com imigrantes, ou, dito de outra forma, quem olhe para os refugiados como imigrantes que chegam à procura de melhores condições económicas, nomeadamente no campo profissional.

Esta visão coloca num patamar secundário as questões sociais determinantes no aparecimento dos refugiados, grupos constituídos por pessoas que são vítimas de migração forçada, homens, mulheres e crianças que deixam o conforto das suas casas e o seu país apenas por razões de sobrevivência perante a ameaça da guerra.

Ao contrário dos refugiados, os imigrantes partem de livre vontade e com um projeto de vida planeado, lutam por melhores salários e um nível de vida mais elevado, pelo que procuram emprego e carreira profissional. As motivações e as atitudes dos refugiados e dos imigrantes são diferentes e colocam desafios distintos, embora ambas as situações exijam preocupações inclusivas.

Tal como aconteceu nas décadas de 1940 e 1950, a Europa volta a ser a origem do maior número de refugiados a nível mundial, por causa da guerra na Ucrânia, conflito que em escassas semanas já provocou a fuga de milhões de pessoas.

Os grupos de refugiados que conseguem sair do território ucraniano são formados quase em exclusivo por mulheres, crianças e idosos, sobretudo mães e filhos pequenos, uma vez que os homens foram mobilizados para o combate.

Os refugiados enfrentaram perigos vários e chegam traumatizados, com as vidas suspensas, agarradas apenas a uma mala ou um saco, quase sempre com o coração preso a notícias dos entes queridos que enfrentam a morte nas trincheiras da guerra. São mulheres e mães que temem o pior sempre que sentem o silêncio dos que ficaram.

É provável que alguns milhares de refugiados queiram ficar em Portugal como imigrantes, requerendo para o efeito a necessária autorização, mas esse cenário é futuro, o tempo presente deve ser apenas de solidariedade.

Sejam bem-vindos, temos paz e tudo o que precisarem.