Cláudia Oliveira, Jurista, assessora no Parlamento Europeu rexistencia.co@gmail.com

Em vez de baixarmos os braços e de nos conformarmos, sem sequer questionar as decisões que nos impõem, urge agir e participar. O próximo epicentro pode ser a minha rua!


É sabido que a vida dá muitas voltas, e a minha não é excepção à regra. E a cada volta que dá aumenta a distância geográfica em relação ao meu ponto de partida, Leiria. Encontro-me actualmente a cerca de 2000km. A minha perspectiva do mundo mudou de paradigma. Hoje talvez pense mais a uma escala europeia, mas sei que apenas a escala mudou, não os interesses, não as causas, nem as questões. A ideia de um mundo mais justo e igual para todos é transversal. E é essa a minha verdadeira motivação.

O actual contexto mundial de crise económica tem despoletado inúmeros movimentos sociais, organizados ou espontâneos, de pessoas que indignadas saem para as ruas para dizer: Basta!!! Nós não somos mercadoria! Não é este o mundo que queremos! Nós somos 99%!

Por todo o mundo assistimos à multiplicação deste fenómeno social, através das acampadas (actualmente instaladas em mais de mil cidades), da convocação de manifestações, da organização das assembleias populares que garantem a proposição e discussão de ideias por todos. Sendo de impacto mundial tem, contudo, os seus vários epicentros a nível local ou regional, que se vão repercutindo à escala nacional e global, cada qual com as suas especificidades e novidades. O que nos deveria servir de exemplo de acção. Em vez de baixarmos os braços e de nos conformarmos, sem sequer questionar as decisões que nos impõem, urge agir e participar. O próximo epicentro pode ser a minha rua!

Quando participei na primeira manifestação de indignação em Portugal, a 12 de Março, havia um apelo para que levássemos os nossos cartazes com ideias e propostas. Durante dias pensei o que escreveria no meu. Não me era nada fácil o exercício de sistematizar ideias de forma a reduzi-las ao espaço de um cartaz, que além do mais se queria legível. Após várias tentativas e exercícios cheguei a uma palavra: REXISTÊNCIA! Nela fazia várias sínteses possíveis: a da vontade crescente de resistência e oposição às políticas que por todo o mundo pretendem subjugar as pessoas aos interesses da economia; a da necessidade de existência, no sentido de necessidade de agir e reagir de facto, de lutar contra o conformismo instalado; e a urgência de repensar e reinventar o mundo, nas suas inúmeras dimensões e dinâmicas, em suma, de re-existir.

É isso que vos proponho fazer nos próximos tempos: exercícios de rexistência!

(texto publicado na edição em papel de 11 de Novembro de 2011)