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“O fogo parecia o inimigo” a destruir tudo à sua volta

Nos concelhos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, mas também em Figueiró dos Vinhos, o cenário é indescritível, muito para além do que palavras como “inferno”, “mar de chamas” ou “dantesco” podem descrever.

António Martins, emigrante na Suíça, tem uma casa em Adega, no concelho de Pedrógão Grande. A habitação escapou, mas tudo o resto ardeu – vinha, árvores de fruto e um curral de animais. “O fogo parecia o inimigo” – esta é a expressão que para o homem, de 56 anos, porteiro num hotel, melhor explica a forma como as chamas se propagaram repentinamente.

Há casos de filhos e pais que faleceram no interior de carros, de jovens que perderam os pais – nos cafés, nos pontos de socorro e nas aldeias quase toda a gente conhece vítimas ou perdeu algum ente querido no fogo que ainda continua a esta hora com frentes ativas.

As aldeias de Pobrais e Nodeirinho são exemplo da violência da tragédia: perderam duas dezenas de habitantes; sete que viviam na primeira e entre 14 e 16 que habitavam na segunda. E a amalgama de carros na estrada que liga Castanheira de Pera e Pedrógão Grande (EN236) esconde um tragédia inimaginável: 30 pessoas perderam a vida, incluindo crianças; nalguns casos famílias que regressavam de um dia passado na Praia das Rocas.

A falta de água e de eletricidade foram duas das dificuldades enfrentadas pela população, que só com o amanhecer de hoje começou a perceber a dimensão da tragédia: dezenas de carros queimados e igual volume de casas destruídas, cadáveres nas estradas e no interior de carros e habitações.

A escassez de meios suficientes para acudir a todos os que precisavam de socorro também foram evidentes, mas a dimensão e rapidez dos incêndios será a principal explicação para uma resposta mais correspondente às necessidades dos habitantes.

Hoje, em paralelo ao avolumar dos números da tragédia, muitas centenas de pessoas mobilizaram-se para ajudar os operacionais que combatem as chamas, nomeadamente levando-lhes água, sumos, leite e outros bens alimentares. Este movimento de solidariedade estende-se também aos habitantes que perderam uma vida de trabalho em poucos minutos de inferno.

As populações relatam a ocorrência de ventos muito fortes e trovoadas secas como causa dos incêndios que lavram desde sábado em Pedrógão Grande, no nordeste do distrito de Leiria.

Morreram 61 pessoas e ficaram feridas 58, a esmagadora maioria apanhada pelas chamas no interior de carros, quando procurava fugir das chamas que destruíram dezenas de casas em diferentes aldeias.

Carlos Ferreira

Jornalista

Joaquim Dâmaso (fotografia)

Jornalista

joaquim.damaso@regiaodeleiria.pt

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