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Cultura

Morreu o encenador Norberto Barroca

Despediu-se da sua arte com a encenação da chegada de Guilherme Stephens à Marinha Grande. Norberto Barroca morreu esta quinta-feira, 2 de janeiro, aos 82 anos.

Norberto Barroca morreu esta quinta-feira, 2 de janeiro, aos 82 anos. Figura incontornável da Cultura da Marinha Grande e da região, o encenador teve como último grande projeto profissional a reconstituição histórica da chegada de Guilherme Stephens à cidade vidreira, há 250 anos.

“Esta é uma triste notícia que muito nos marca. Norberto Barroca foi e será – porque nunca o esqueceremos – um grande marinhense”, afirma a presidente da Câmara da Marinha Grande, em nota divulgada pelo município.

“Graças a Norberto Barroca boa parte da memória histórica do povo marinhense permanecerá eternamente viva. Obrigada por tudo, Norberto. Ficam as enormes saudades”, acrescenta Cidália Ferreira.

Além de ter decretado luto municipal, Cidália Ferreira avançou que a galeria municipal da Marinha Grande receberá o nome de Norberto Barroca. Lá será depositado, trabalhado e divulgado o espólio do ator e encenador, concretizando um projeto que o próprio vinha preparando com a autarquia. 

Norberto Barroca nasceu na Marinha Grande em 1937 e tinha formação em Arquitetura e História. Mas notabilizou-se, sobretudo, por múltipla atividade teatral enquanto ator, declamador, encenador, cenógrafo, figurinista, professor e autor. Ainda fez rádio, cinema e gravou discos de poesia.

Enquanto ator e encenador trabalhou com quase todos os nomes fundamentais do teatro nacional, como Glória de Matos, Graça Lobo, Mirita Casimiro, Manuela de Freitas, João Perry, Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Filipe La Féria, Fernanda Lapa, José Wallenstein, Canto e Castro, Ana Zannati ou Ricardo Trêpa, entre outros. 

O percurso no teatro fica marcado pelos espetáculos para a infância encomendados pela Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses e para a Expo 98 e ainda “Memórias de Lúcia”, para o 90.º aniversário das aparições de Fátima.

Em Portugal trabalhou com algumas das maiores companhias e apresentou espetáculos em quase todas as salas de Lisboa: Teatro Laura Alves, Teatro Estúdio de Lisboa, 1º Acto de Algés, Teatro S. Luís – que dirigiu -, Teatro Maria Matos, A Barraca, Teatro ABC, Teatro Maria Vitória e Teatro Nacional D. Maria II. De 1998 a 2009 foi diretor artístico do Teatro Experimental do Porto.

Também o Partido Socialista da Marinha Grande já comentou o desaparecimento de Norberto Barroca, congratulando-se com o facto de a Câmara ter aceitado a doação do espólio do encenador e de ter comprometido com a criação de um espaço expositivo com o nome do encenador.

O velório tem lugar na sexta-feira, dia 3 de janeiro, no Teatro Stephens, a partir das 14 horas. As cerimónias fúnebres decorrem no sábado, pelas 14 horas, na Igreja da Marinha Grande, seguindo o cortejo fúnebre para o cemitério da Marinha Grande.

(notícia atualizada com informação sobre as cerimónias fúnebres, no dia 3 de janeiro, às 11h15)

 

Foto: Jornal da Marinha Grande