A Banda de Alcobaça festejou a 19 de março 100 anos de existência ao serviço da cultura e da música. Devido ao atual contexto de emergência, a efeméride foi assinalada de forma discreta mas, segundo comunicado da instituição, o essencial do programa comemorativo previsto será realizado até março de 2021.

O presidente da direção da Banda de Alcobaça realça a importância de comemorar um centenário de “empenho cívico de muitas pessoas, mas também de resiliência em muitos muitos difíceis”.

“Infelizmente estamos a viver mais um desses momentos, o mais grave das últimas décadas, mas acredito que ficaremos mais fortes”, declara Rui Morais

O percurso da Banda de Alcobaça fala por si: em 100 anos, assumiu-se como “polo educativo e cultural de referência no domínio das artes”, assumindo “um papel decisivo na comunidade” e promovendo “projetos de impacto nacional e reconhecidos internacionalmente”.

Para se perceber que não se tratam de palavras vãs, basta lembrar que a atividade educativa, social e artística da instituição abrange 3.196 utentes, dos quais 630 são alunos dos cursos artísticos de música e dança, e emprega 124 funcionários e colaboradores. Entre diversas organizações, é responsável pela organização do conceituado festival Cistermúsica.

O futuro passa por dotar a Banda de Alcobaça de “instalações modernas e adequadas ao enorme crescimento das academias de música e dança”, frisa Rui Morais, porque é necessário “não só manter mas principalmente elevar os padrões de qualidade da formação aqui dada”.

Os responsáveis apostam também na “consolidação da área social” e na internacionalização dos festivais de música e de “novos projetos”.

A história

A história da Banda de Alcobaça remonta ao início do século XX, mais precisamente a um agrupamento musical, a Real Fanfarra Alcobacense, honroso título que o Rei D. Carlos e a Rainha Dª Amélia lhe concederam pela sua qualidade musical. Foram, assim, lançadas as bases para a fundação da Banda de Alcobaça, que ocorreu a 19 de março de 1920, e que nos quarenta anos seguintes atuou em vários pontos do país.

Porém, como tantas vezes sucede na história das coletividades, nas décadas de 60 a 80 deixa de ter atividade, vindo a renascer somente em 1985, pela mão de um grupo de alcobacenses que, para o efeito, cria uma escola de música.

Os alunos desta escola, em conjunto com instrumentistas de outras bandas do concelho, fizeram ressurgir a banda de música, tendo esta feito a sua primeira apresentação a 30 de novembro desse mesmo ano.

O ponto de viragem da Banda de Alcobaça, de uma coletividade musical tradicional para uma associação artística de referência, deu-se no início do século XXI, com a criação da Academia de Música de Alcobaça, em 2002.

Desde então, a Academia tornou-se uma das maiores escolas de música no país, a que acrescentou, a partir de 2009, a área da dança, mantendo, no entanto, sempre em funcionamento a sua banda de música, agora Banda Sinfónica de Alcobaça.

Além do ensino artístico especializado, a Banda de Alcobaça passou a desenvolver projetos de cariz social e a produzir grandes eventos artísticos, destacando-se a este nível festivais de renome como o Cistermúsica ou o Gravíssimo!.

Em março de 2014 a Banda de Alcobaça diversificou ainda mais a sua atividade, adquirindo o jornal “Região de Cister”.