O número de colheitas de sangue realizadas pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST) sofreu uma redução de 22% nas duas primeiras semanas de março devido ao surto de Covid-19. Não há contudo motivos para não dar sangue, garante o instituto, que tem reiterado o apelo à dádiva.

Hoje, domingo (dia 22), os dadores podem dirigir-se durante a manhã à sede da Junta de Freguesia de Vieira de Leiria para doar sangue. A colheita, promovida com os Dadores de Sangue do Concelho da Marinha Grande, realiza-se entre as 9 e as 13 horas.

Na sua página de Facebook, a associação, que organiza colheitas no antigo edifício da Ivima (um sábado e três terças-feiras por mês), informa que a doação de sangue tem justificação para a deslocação de cidadãos durante o período de imposição de isolamento social.

Helena Gonçalves, responsável da Área de Colheita de Sangue Total de Coimbra (CSTC) do IPST, explica por sua vez ao REGIÃO DE LEIRIA que continuam a ser efetuadas colheitas no Posto Avançado de Leiria da Cruz Vermelha de Leiria (às terças de manhã e sextas de tarde), com a devida salvaguarda dos dadores e profissionais de saúde.

O posto da Cruz Vermelha encerrou portas apenas esta semana para elaboração do plano de contingência da instituição.

A responsável adianta, em contrapartida, que as sessões em unidades móveis (autocarros) foram suspensas tendo em conta a dificuldade de garantir o necessário distanciamento social, e que algumas colheitas agendadas nas localidades têm sido canceladas “não por falta de dadores”, mas por razões de segurança, encerramento ou planos de contingência das entidades anfitriãs, como sucedeu com os estabelecimentos de ensino.

Helena Gonçalves não hesita em classificar a situação como “dramática” devido à quebra registada no número de colheitas e ao agravamento que se adivinha nas próximas semanas.

Apelando à dádiva, afirma que nada obsta a que os dadores saudáveis dêem sangue, “sempre sob a superintendência das normas emanadas pela Direção-Geral da Saúde”.

“Sempre que as condições o permitam deve-se continuar a doar sangue, porque não podemos esquecer que há muitos outros doentes internados com doenças que necessitam de sangue para sobreviver ou para efetuarem terapêuticas indispensáveis  à melhoria das suas doenças”.

Helena Gonçalves, do IPST

Além do preenchimento de um questionário com consentimento informado, os candidatos “são avaliados por um médico, quer nas suas respostas como através de exame médico”, tendo sido ainda instituído “um reforço na pesquisa de antecedentes pessoais do dador, nas questões relacionadas com as viagens a áreas ou regiões com surto ou transmissão comunitária ativa”.

Também a Federação Portuguesa dos Dadores Benévolos de Sangue (FEPODABES) apelou esta semana aos dadores regulares para que continuem a doar apesar da pandemia da Covid-19, frisando que o IPST entrou na terça-feira “no nível amarelo de alerta” devido à quebra no número de dádivas.

O alerta amarelo  implica o reforço de envio de SMS de convocatória de dadores ativos, o aumento da atividade de colheita de componentes por aférese, o alargamento dos horários das sessões de colheita, e o agendamento prévio de dádivas nos locais fixos para evitar ter muitos dadores em simultâneo

Segundo o presidente da FEPODABES, Alberto Mota, os dadores podem continuar a dar sangue, “à exceção dos dadores que habitam nas regiões em situação de quarentena”.

Quanto a um eventual risco de transmissão do novo coronavírus através do sangue, o responsável adianta não ser conhecido e afirma “não parecer haver razões para alarme” dado não ter sido reportado até à data qualquer “caso de transmissão de vírus respiratórios (incluindo coronavírus) por transfusão ou transplantação”.

Alberto Mota destaca por outro lado que “as medidas adotadas para a elegibilidade dos dadores de sangue impedem a dádiva de pessoas com manifestações clínicas de infeção respiratória ou febre”.

O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) faz eco das mesmas preocupações e apela a todos os dadores de sangue que se mobilizem “neste momento difícil” e que continuem “a contribuir com as suas imprescindíveis dádivas, no sentido de poderem ajudar, em qualquer momento, esta unidade hospitalar e, assim, contribuírem para ajudar a salvar vidas”.

“Todos nós cidadãos temos a obrigação de estar muito atentos à evolução desta pandemia e continuarmos a ser solidários com os outros doentes que precisam muitíssimo do nosso suporte transfusional (em Portugal são efetuadas cerca de mil transfusões por dia)”.Helena Gonçalves, do IPST