Sector constituído por 536 empresas (Foto de arquivo)

A pandemia da covid-19 obrigou a mudanças na organização das empresas de moldes nacionais, que já sentem a paragem da indústria automóvel, afirma o secretário-geral da Cefamol – Associação Nacional da Indústria dos Moldes.

“Grande parte dos clientes parou. Há uma ligação muito próxima do sector, como um todo, com a indústria automóvel [é o principal cliente, com um peso de 82%], e temos visto nas notícias das últimas semanas que a indústria automóvel está paralisada”, diz Manuel Oliveira.

As 174 empresas representadas pela associação, num universo de 536 no país que dão trabalho a 11 mil pessoas, continuam em atividade, sobretudo porque “têm projetos em curso e estão a respeitar os prazos acordados”.

Mas, nota o responsável da Cefamol, que tem sede na Marinha Grande, a tendência não é otimista, porque “não se perspetivam no curto prazo novas encomendas, como seria normal acontecer”.

A pandemia, contudo, apenas acelerou uma tendência.

“Sobretudo no último ano e meio já vínhamos a sentir que a indústria automóvel está, progressivamente, a diminuir o lançamento de novos projetos”.

A indefinição a nível das motorizações, com hesitações entre as fontes de energia fóssil ou as alternativas, como a elétrica ou o hidrogénio, está no centro do problema.

“Já estávamos a sentir isso e agora a atual situação agrava sobremaneira por via do encerramento, ainda que temporário, das empresas que são nossas clientes. É difícil ter uma perspetiva do futuro, tendo em conta esta visão do mercado”, sublinha Manuel Oliveira. 

A Cefamol regista a entrada de algumas unidades em ‘lay-off’, “ainda que parcial”, e todas tiveram de se adaptar internamente a novas normas de segurança interna, “para não colocar em risco os trabalhadores”.

“Cria novos desafios, até em termos organizacionais”, frisa o secretário-geral da associação, porque “nem todas as pessoas podem trabalhar ao mesmo tempo”, o que se reflete em quebra no fluxo de produção.

No atual contexto, pensar o futuro não é simples.

“Temos de esperar a resolução da questão sanitária, aguardar para ver como a situação vai evoluir e perceber se os projetos que foram cancelados ou suspensos podem ser reativados num curto espaço de tempo, para que seja possível voltar à produção normal”.

A crise provocada pela pandemia pode, também nos moldes, resultar numa nova filosofia de escolha de mercados, valorizando a produção na Europa em detrimento da Ásia.

A Cefamol quer “acreditar que isso possa acontecer” e que, em algumas empresas, isso “possa ser tido em consideração”. Mas, realça Manuel Oliveira, “tudo depende de como os outros ‘players’ se vão posicionar e nos preços que vão trazer ao mercado”.

“Todos percebemos os problemas da dependência que temos dos mercados mais ou menos afastados. Mas, por muito boa vontade que exista, se alguém nas casas-mãe dos nossos clientes disser ‘não, não, a nossa produção vai para ali’, é difícil competir”, conclui.