O Presidente da República anunciou hoje que pretende renovar o estado de emergência por mais 15 dias, até maio, defendendo que não se pode “brincar em serviço” nem “baixar a guarda” no combate à propagação da Covid-19.

“Guardando embora para depois de ouvir os epidemiologistas na quarta-feira a formalização do texto que será objeto de parecer do Governo e de votação na Assembleia da República, está formada a minha convicção – como sabem, é iniciativa do Presidente da República – quanto à renovação do estado de emergência”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, o chefe de Estado acrescentou: “Naturalmente que irei ouvir os especialistas, irei ouvir e atender ao contributo fundamental do Governo e será a Assembleia a autorizar. Mas não podemos brincar em serviço, não podemos afrouxar, não podemos neste momento decisivo baixar a guarda”.

O estado de emergência, que de acordo com a Constituição não pode ter duração superior a 15 dias, sem prejuízo de eventuais renovações com o mesmo limite temporal, vigora em Portugal desde o dia 19 de março e foi já renovado uma vez, até 17 de abril. Se for novamente renovado, vigorará até 2 de maio.

Já o primeiro-ministro considerou hoje que retirar o estado de emergência devido à Covid-19 seria dar “um sinal errado ao país”, e salientou que os dias em que a circulação está restrita, durante a Páscoa, “vão ser muitíssimo importantes”.

“Este é o momento mais difícil”, admite António Costa

“Ainda não podemos começar a aliviar [as medidas de contenção], pelo contrário”, assinalou numa entrevista ao programa “Você na Tv”, na TVI, apontando que “este é o momento mais difícil” porque a “fadiga vai-se acumulando”, mas é preciso não perder o foco.

Na ótica de António Costa, a “época da Páscoa é crítica” e os cinco dias em que a circulação entre concelhos está restrita (entre quinta-feira e segunda-feira) “vão ser muitíssimo importantes”.

“Fundamental é sermos muito contidos, muito disciplinados” nas medidas de contenção da pandemia de Covid-19, para ser possível antecipar o levantamento dos constrangimentos decretados pelo Governo, apontou.

Costa advogou também que acredita que “seguramente vai surgir” uma nova vaga de Covid-19 no inverno.

O chefe de Governo indicou igualmente que ainda não foi testado à doença provocada pelo novo coronavírus por não ter sintomas e não ter estado em contacto com pessoas de risco.

Afirmando que “é verdade” que faltam testes, António Costa justificou que essa carência acontece porque “não existem à escala global” testes suficientes para serem adquiridos pelos países, sendo que o mesmo acontece com as zaragatoas e os reagentes, por exemplo.

“Nada estava produzido à escala global para uma pandemia desta dimensão”, acrescentou, salientando que Portugal entrou na mesma “luta em que todo o mundo está para conseguir comprar” estes materiais.

Por isso, rejeitou “alimentar essa polémica entre aquilo que é essencial ter, o que é necessário ter e o que as pessoas julgam que têm de ter”.

Quanto aos ventiladores, os que estão a ser adquiridos vão “permitir duplicar” a capacidade atual do Serviço Nacional de Saúde, garantiu.

Questionado sobre a forma como cumprimentou o ministro da Educação na quinta-feira, com um aperto de mão, António Costa admitiu que foi “uma falha”, mas considerou que isso demonstra que é humano.