A Câmara de Óbidos vai contrair um empréstimo bancário de curto prazo, no valor de 500 mil euros, para fazer face aos constrangimentos provocados pela pandemia da covid-19, anunciou a autarquia.

 A verba servirá ”para reduzir os prazos de pagamento aos fornecedores do município” e, por outro lado, “para fazer face às medidas de apoio social a famílias e empresas, que já estão a ser implementadas”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Óbidos, Humberto Marques (PSD).

Num comunicado emitido esta segunda-feira, a autarquia informa terem sido já gastos, de forma direta, cerca de 125 mil euros, dos quais 70 mil euros em equipamento informático para alunos do concelho e 30 mil em vales alimentares de apoio a famílias.

Citado no mesmo comunicado, Humberto Marques estima “que o apoio às famílias e empresas signifique uma quebra de receita municipal na ordem dos 1,5 milhões de euros”.

Apesar de sublinhar o facto de “a situação financeira do município ser bastante estável”, o autarca reconhece esperar “um impacto negativo direto na arrecadação de receita nos próximos meses”, que tornará “impraticável que a tesouraria consiga responder às necessidades urgentes de liquidação da dívida de curto prazo a fornecedores”.

“Como o volume da receita do município não é igual ao longo de todo o ano económico, fizemos uma consulta de mercado para obtenção das melhores condições para a contratação deste empréstimo, tendo em vista a melhoria das condições atuais de tesouraria”, acrescentou o autarca, adiantando que “o valor deverá começar a ser amortizado aquando da cobrança do IMI (Impostos Municipal sobre Imóveis)”.

O pedido de empréstimo de curto prazo, que deverá ser pago até ao final do ano, foi aprovado por unanimidade, na última reunião de câmara, na sexta-feira passada e comunicado à Assembleia Municipal, que se deverá reunir em junho.

No documento, feito pelos técnicos do município, a opção de pedir o empréstimo é ainda sustentada pela “necessidade de conter a crise empresarial” perante os dados divulgados, que apontam para um aumento de 10 mil desempregados e 40 mil trabalhadores em ‘lay-off’ na região Oeste, em consequência direta da pandemia da covid-19.

Um cenário que reforça “a necessidade de apoiar diretamente as empresas, através do pagamento mais rápido da sua faturação emitida ao município”, conclui o comunicado.