Começa a ser um acessório imprescindível quando se sai de casa mas são muitas as dúvidas que (ainda) existem sobre como e quando usar a máscara e qual a forma correta para a colocar.

Seja qual for a dúvida, mais do que não usar, a recomendação por parte das autoridades de saúde é que use, independentemente se é uma máscara cirúrgica ou comunitária.

Lília Valente, médica em Formação Específica em Saúde Pública, demonstrou ao REGIÃO DE LEIRIA, passo a passo, como deve colocar e retirar a máscara. Bem como quais os erros mais comuns.

O uso da máscara garante um elevado nível de proteção mas deve estar sempre associado a comportamentos de segurança, explicam os médicos Bartolomeu Alves, Lília Valente, Tiago Gabriel e Estevão Santos, da Formação Específica em Saúde Pública, da Unidade de Saúde Pública de Leiria.

“A utilização da máscara comunitária deve ser usada num contexto global de segurança que inclui também o distanciamento físico, a permanência no domicílio, sempre que possível, (incluindo a possibilidade de teletrabalho), higiene das mãos, etiqueta respiratória. Portanto, sim, é preferível utilizar máscara, independentemente do tipo, a não utilizar, desde que sejam mantidos os comportamentos acima mencionados”, indicam.

Qual a máscara recomendada: cirúrgica ou comunitária?

O tipo de máscara recomendada a utilizar no dia-a-dia é a máscara cirúrgica. No entanto, “a sua disponibilidade e o contexto epidemiológico são fatores de peso na decisão de adquirir este tipo de material, visto que tal material pode ser necessário a profissionais de saúde, por exemplo, para combate a uma situação imprevisível”, referem. Em alternativa, podem ser consideradas as máscaras comunitárias, pois, como referido anteriormente, é sempre preferível usar um equipamento de proteção do que não usar.

“A máscara comunitária apresenta a vantagem de poder ser reutilizada após a sua lavagem cuidadosa, embora se devam seguir as recomendações do fabricante sobre o número máximo de utilizações. Por outro lado, as máscaras não comunitárias, sendo mais baratas individualmente, são, normalmente, de utilização única”, esclarecem.

Que cuidados devem as pessoas adotar quando compram uma máscara de proteção?

Acima da utilização de qualquer material de proteção, deve cumprir-se a boa prática de higiene das mãos e de etiqueta respiratória. Garantir que na compra do produto, o fabricante está certificado e cumpre as recomendações para a qualidade das máscaras. Deve adotar-se a metodologia de colocação e remoção da máscara recomendada pelas instituições competentes. Deve seguir-se as instruções de manutenção do material, de acordo com o fabricante.

Se me ausento de casa apenas para ir comprar pão, quando regresso, a máscara deve ir para o lixo?

“Depende do tipo de máscara e da condição em que se apresente no regresso das compras. Se for uma máscara de utilização única, deve ser descartada, independentemente do tempo de utilização. Por outro lado, se for uma máscara reutilizável, deve fazer-se a higienização cuidadosa do material, antes da próxima utilização, excetuando se já tiver ultrapassado o número de utilizações máximas recomendado pelo fabricante”.

Com várias opções no mercado, no momento da compra, os cidadãos devem procurar garantir sempre que “o fabricante está certificado e cumpre as recomendações para a qualidade das máscaras”.

Em atualização permanente, o CITEVE (Centro Tecnológico das Indústrias do Têxtil e do Vestuário) disponibiliza a lista de máscaras certificadas e aprovadas no âmbito da Covid-19, onde refere o número de utilizações possível e de lavagens.

Quando devo substituir a máscara?

“As especificações técnicas dirigidas aos fabricantes deste tipo de equipamento de proteção (tanto de nível 2 como de nível 3) referem que o material produzido deve permitir a sua utilização ininterrupta durante um período mínimo de 4 horas, sem degradação da capacidade de retenção de partículas nem da respirabilidade. De realçar que a máscara deve ser trocada sempre que se apresente húmida”, ou sempre que, por algum motivo, seja removida.

Tenho uma máscara reutilizável. A que temperatura a devo lavar?

“A informação sobre o processo de reutilização (lavagem, secagem, conservação, manutenção) e o número de reutilizações deverá ser fornecida pelo fabricante ao utilizador, visto que pode variar com o tipo de material e processos de fabrico utilizados. Deve ser sempre verificada a existência desta informação antes de adquirir este tipo de máscaras”, alertam.

Estou com a máscara e preciso coçar a cara. Como devo proceder? Posso puxar a máscara para o queixo?

“As mãos são o principal veículo de transmissão de infeção entre seres humanos, daí que existam essas recomendações de práticas mais corretas (não só em contexto de pandemia, mas em qualquer contexto)”.

O procedimento mais correto passa por lavar as mãos, retirar a máscara pelos elásticos, colocando-a sobre uma superfície higienizada, coçar a cara, voltar a lavar as mãos e voltar a colocar a máscara. A higiene das mãos é um dos comportamentos a manter (e reforçar) em contexto de pandemia.

As máscaras devem tapar nariz, boca e queixo. “Uma inadequada colocação da máscara não produz os efeitos protetores expectáveis” e, portanto, é de evitar usar a máscara apenas para tapar a boca ou puxar a mesma para o queixo. Trata-se de “um comportamento inadequado”, dizem os especialistas.

A viseira substitui a máscara?

Não. “A utilização da máscara é prioritária relativamente à utilização exclusiva de viseira, devido às suas características de filtração. No entanto, a viseira pode ser mais um complemento de proteção, fundamentalmente, com função de proteção do próprio, visto que impede a projeção de algumas gotículas emitidas frontalmente, diretamente na face”, afirma os clínicos.

Ao contrário da máscara, a área de cobertura da viseira não protege todas as superfícies de mucosas na face. Por outro lado, a viseira não impede a projeção de partículas sobre as superfícies.

“A higienização da viseira deve ser feita após cada período de utilização, ou com solução alcoólica a 70% ou com outra substância sugerida pelo fabricante para o efeito, nomeadamente um detergente”, justificam.