As cerimónias religiosas presenciais, que são retomadas amanhã, sábado, dia 30, acarretam um “risco aumentado” de propagação da covid-19, salientou hoje a Direção-Geral da Saúde (DGS), no documento em que define as medidas de prevenção e controlo em locais de culto.

“Considerando a interação social e proximidade entre membros da comunidade, importa reconhecer o risco aumentado de propagação do vírus, bem como o impacto da doença em grupos que podem ter uma representatividade considerável nos cultos, nomeadamente pessoas com mais de 65 anos e pessoas com comorbilidades”, sublinhou a entidade liderada por Graça Freitas.

A lista com recomendações dirigidas às instituições religiosas e aos participantes nas celebrações foi publicada no site da DGS, vincando que “nos locais de culto e religiosos existe risco de transmissão direta e indireta de SARS-CoV-2 e, como tal, medidas adicionais devem ser tomadas para evitar a transmissão” do novo coronavírus.

Na página da Diocese Leiria-Fátima é possível encontrar uma agenda com as celebrações agendadas para os próximos dias, bem como algumas das recomendações a adotar.

Na Marinha Grande, o desconfinamento religioso irá acontecer a partir deste fim de semana, nos dias 30 e 31, quando são esperadas “celebrações com a presença do povo de Deus”.

Enquanto isso, a Paróquia dos Pousos já tem prevista uma agenda com atividades que se estendem ao longo da semana. Na Paróquia da Batalha os membros também podem voltar a participar dos encontros cristãos a partir de amanhã, 30, mantendo as devidas condições anunciadas.

Para ajudar as instituições eclesiais na disseminação de informações, a Diocese Leiria-Fátima reuniu os cartazes distribuídos pela DGS com orientações que vão desde os “passos para comungar” até como fazer uma “oração” segura ou o uso da máscara, que é obrigatório.

A Diocese Leiria-Fátima recomenda que os cartazes informativos da DGS sejam divulgados e afixados nas instituições eclesiais.

Em comunicado , o cardeal António Marto agradeceu todo o esforço dos fiéis no tempo de confinamento e de ausência de “celebrações comunitárias”. “Sei que custou muito, mas também que houve quem crescesse na fé utilizando os recursos oferecidos nos meios de comunicação digital”, sublinha num dos trechos. “Espero que toda vida cristã que foi provada e cresceu, se mantenha e desenvolva agora com maior apoio e comunhão da comunidade cristã”.

O momento, segundo o bispo de Leiria-Fátima, é de reaproximação das igrejas “com confiança e sem medo”. Para isso, os pastores e colaboradores “foram cuidadosos na preparação das condições para evitar contágios” e manter o novo coronavírus distante das assembleias.

“Se alguma coisa aprendemos nesta dolorosa experiência, é que todos precisamos de todos para nos protegermos e cuidarmos. Assim é também nas comunidades cristãs, não apenas para a saúde, mas também para o cuidado dos mais pobres e fragilizados e para crescemos juntos como família cristã chamada a viver e a dar testemunho da ‘alegria do Evangelho'”, acrescenta o líder religioso.

Meios de transmissão alternativos devem ser mantidos

As recomendações emitidas pela DGS têm como objetivo “orientar a adoção de medidas que evitem ou limitem a transmissão por SARS-CoV-2 em locais de culto e durante as celebrações de culto”, assinala o organismo.

As celebrações, atividades, encontros, reuniões, catequeses e outros eventos de culto que implicam a aglomeração de pessoas devem ser limitados ou adiados, quando não for possível cumprir com as orientações transmitidas pelas autoridades de saúde.

Segundo a DGS, também se devem manter ativos os “meios de transmissão alternativos, nomeadamente com recurso a meios telemáticos” das celebrações religiosas.

A entidade também recomenda que seja removido ou proibido “o toque de objetos ou substâncias do local de culto, nomeadamente água benta e outros símbolos”.

A DGS deixou também uma série de recomendações para os cidadãos, desde o cumprimento das orientações de entrada e saída dos locais de culto, ao respeito pelos lugares definidos. Cada confissão tem ainda de adaptar os seus rituais específicos às novas regras, com o objetivo de tentar fornecer a maior segurança possível a todos os envolvidos nas cerimónias.

Várias confissões religiosas preparam a retoma das cerimónias presenciais em Portugal, a partir de sábado, com novas regras para os fiéis e adaptações dos cultos, após uma paragem superior a dois meses por causa da pandemia de covid-19.

Com Lusa