O presidente do Politécnico de Leiria, Rui Pedrosa, insistiu hoje com a tutela para que possa permitir a designação de universidade politécnica ou de ciências aplicadas, depois de a Comissão Europeia reconhecer o título de universidade europeia.

A Comissão Europeia aprovou a candidatura da Regional University Network – European University (RUN-EU), liderada pelo Politécnico de Leiria, no âmbito da iniciativa Universidades Europeias, com a atribuição de financiamento do programa ERASMUS+.

“Se a Comissão Europeia, com a avaliação de peritos internacionais, dá este crédito ao Politécnico de Leiria como líder de uma universidade europeia, agora, já só falta Portugal assumir definitivamente a designação de universidades politécnicas”, sublinhou à agência Lusa Rui Pedrosa.

O presidente do Politécnico de Leiria espera que hoje esteja “muito mais perto” de ser universidade politécnica ou de ciências aplicadas.

“Não há nenhuma razão, a não ser eventualmente um preconceito histórico, que hoje, no século XXI, não faz nenhum sentido. Temos é de projetar cada vez mais a qualidade do ensino superior em Portugal, cá dentro e muito lá fora, e, para isso, a designação é muito importante”, sublinhou.

Rui Pedrosa acrescentou que a designação “carece de uma alteração legislativa”, situação que há muito tem vindo a defender.

“Não queremos alterar nada. Não queremos aumentar a despesa. Queremos continuar a fazer este caminho de investigação com impacto nas regiões. Cada vez somos mais uma instituição global e multicultural e a prova disso é esta Regional University Network. Defendemos este sistema binário, que tem universidades mais clássicas e universidades politécnicas ou de ciências aplicadas”, reforçou.

Para o responsável, esta designação tem de ser “universal”, para que “se perceba, automaticamente, dentro da rede das universidades de ciências aplicadas, na Europa e no mundo, quem são estas instituições de ensino superior mais focadas no desenvolvimento regional e em realizar uma investigação tenha um impacto direto na transformação da vida económica e social”.

Rui Pedrosa admitiu que ao participar na candidatura à RUN-EU tinha também como objetivo “muito claro” ter a designação de universidade pela via da Europa”.

“Este reconhecimento da Europa é também o reconhecimento da qualidade do ensino superior em Portugal”, considerou Rui Pedrosa, lembrando ainda o doutoramento que vai iniciar este ano letivo em associação com a Universidade do Minho.

A RUN-EU congrega instituições de ensino superior de seis países, que, além do Politécnico de Leiria, inclui, como membros fundadores, o Politécnico de Cávado e do Ave, de Portugal, o Limerick Institute of Technology e o Athlone Institute of Technology, ambos da Irlanda, a Széchenyi István University (SZE), da Hungria, a Häme University of Applied Sciences HAMK, da Finlândia, a NHL Stenden University of Applied Sciences, da Holanda, e a FH Vorarlberg University of Applied Sciences, da Áustria.

Esta rede irá desenvolver em conjunto diversas ações de ensino-aprendizagem, através da disponibilização aos estudantes de diferentes programas internacionais (curta duração e ‘e-learning’), além da implementação de projetos de cooperação internacional no âmbito da investigação e desenvolvimento. 

No futuro, os estudantes das instituições que integram a RUN-EU terão possibilidade de obter duplas e múltiplas titulações europeias, no âmbito de programas conjuntos de formação que vierem a ser desenvolvidos.

“É uma iniciativa que pretende estimular a colaboração entre universidades da Europa e ajudar a intensificar a ideia de identidade europeia. A candidatura da RUN-EU obteve um financiamento de 5 milhões de euros a três anos”, informou Rui Pedrosa.