A Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), criada na sequência dos fogos de junho de 2017 que provocaram dezenas de mortos e centenas de feridos, pediu um reforço da vigilância de proximidade na região.
A AVIPG apelou “a todas as entidades com responsabilidades na proteção das populações e do território” para que, no âmbito das suas competências, reforcem a vigilância de proximidade na região “durante este período de elevado risco de incêndio”.
O apelo é dirigido a autarquias, comunidades intermunicipais, Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Guarda Nacional Republicana, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, corpos de bombeiros, Forças Armadas e Governo.
O pedido é extensivo aos cidadãos, com a AVIPG a lembrar que a segurança do território “não depende apenas dos meios do Estado, depende também da atenção, do civismo e do sentido de responsabilidade de cada um”.
“Evitar comportamentos de risco, cumprir rigorosamente as medidas de prevenção, comunicar de imediato qualquer foco de incêndio, coluna de fumo ou situação suspeita às autoridades e manter uma atitude vigilante são contributos fundamentais para proteger vidas, bens e a nossa floresta”, salientou a associação.
A AVIPG referiu que “as populações deste território viverão com as cicatrizes” da tragédia de 2017, para sublinhar que, “sempre que as temperaturas aumentam e o risco se agrava, regressam também a ansiedade, a inquietação e a memória de um dia que jamais será esquecido”.
Nesse sentido, “a presença das entidades responsáveis no terreno representa muito mais do que vigilância, representa segurança, confiança e respeito por quem aqui vive”, considerou a AVIPG.
“A vigilância de proximidade constitui uma das mais importantes ferramentas de prevenção. Permite detetar rapidamente qualquer foco de incêndio, desencoraja comportamentos negligentes ou criminosos e reforça a capacidade de resposta dos meios de socorro”, sustentou a AVIPG, defendendo que “essa vigilância torna-se ainda mais eficaz quando é acompanhada por uma população informada, consciente e participativa”.
Destacando que “a prevenção dos incêndios rurais é uma missão coletiva”, a AVIPG adiantou que “exige coordenação entre o poder local, as estruturas regionais, o Estado e todos os cidadãos”.
“Só através desse compromisso comum será possível reduzir o risco e proteger aqueles que vivem, trabalham e visitam o nosso território”.
Todos os distritos do norte e centro de Portugal continental e Faro apresentam hoje um risco máximo de incêndio, estando o resto do território com perigo muito elevado.
De acordo com o cálculo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), dos 278 concelhos de Portugal continental apenas cerca de 40 junto ao litoral enfrentam um risco elevado ou moderado, nomeadamente nos distritos de Braga, Porto, Aveiro, Leiria, Lisboa, Setúbal e Faro.
O perigo de incêndio deverá manter-se alto ao longo da semana, de acordo com a previsão do IPMA.