Vários meios aéreos ajudaram no combate às chamas Foto: Joaquim Dâmaso

O incêndio que deflagrou na madrugada de domingo no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC), em Porto de Mós, está em fase de resolução, disse hoje o comandante distrital de Leiria.

Carlos Guerra, comandante distrital de Leiria, anunciou, em conferência de imprensa no posto de comando, que o incêndio foi dado em fase de resolução às 19h50.

“Este é um mérito de todos os operacionais, de todos quantos aqui estiveram, sapadores florestais, GNR… todos. Tiveram um esforço heroico durante estes dois dias. Foi de um desgaste físico notável. Foi muito exigente o combate neste terreno. Tenho de frisar o esforço que todos fizeram para chegarmos aqui, cerca de 43 horas depois, e vermos que o incêndio está resolvido”, salientou o comandante.

Apesar de sublinhar que os meios aéreos “só por si não apagam incêndios”, Carlos Guerra admitiu que, nesta situação, onde os acessos eram muito difíceis, “foram uma ajuda preciosa”.

“Se o meio aéreo é uma ajuda fundamental, diria até nuclear para os operacionais que estão no terreno, aqui, essa ajuda ainda foi mais forte. Por não haver uma progressão no terreno permitiu que o incêndio ficasse ali a moer devagarinho, para depois o combate apeado ou com ferramentas de sapadores fosse mais fácil”, sublinhou.

Segundo explicou, a missão dos meios aéreos foi também, nas “zonas de mais difícil acesso permitir que o combustível quebrasse alguma da sua força para que os operacionais pudessem avançar”.

“Só para estar a despejar água e não conseguirmos pôr pessoal em terra é trabalho infrutífero.”

O comandante acrescentou que uma das missões que os meios aéreos tiveram foi de proteção aos operacionais apeados.

Incêndio no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros ativo há mais de 40 horas

“Ainda hoje, numa situação mais complicada que tivemos de fazer uma manobra, lá estava um helicóptero a descarregar água onde os operacionais necessitavam para sua própria proteção. Não para apagar o fogo”, relatou.

No combate a este incêndio, o dispositivo contou ainda com uma máquina de rasto, propriedade do Instituto da Conservação da das Florestas e da Natureza, que ajudou os operacionais “a penetrar” no terreno.

Carlos Guerra lamentou que a zona onde o fogo progrediu não tivesse caminhos.

“Não me quero intrometer na gestão que o parque tem de fazer. Compreendo as questões da parte do parque natural, e compreendo as questões que o ICNF tem de fazer sobre a gestão do seu território. Mas se me perguntam se gostaria de ter mais caminhos, eu diria que sim”, admitiu, acrescentando que a autarquia e a junta de freguesia têm procurado que se criem mais acessos no PNSAC.

Durante os dois dias de incêndio ativo foram registados seis feridos ligeiros: cinco operacionais e um civil, que não necessitaram de ser encaminhados para uma unidade hospitalar.

Segundo explicou o oficial de ligação do INEM para o distrito de Leiria, o enfermeiro Bruno Rito, as situações estiveram relacionadas com “cansaço, inalação de fumos e alguns pequenos traumatismos mas nada de grave”.

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Às 21h40, a página da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) indicava que estavam no combate ao incêndio no PNSAC, em Serro Ventoso, no concelho de Porto de Mós, distrito de Leiria, 148 operacionais, apoiados por 49 veículos.

Segundo a mesma fonte, o fogo deflagrou às 1h49 de domingo em povoamento florestal.