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ETES não avança, diz ministro do Ambiente

A falta de entendimento com os empresários do sector suinícola não dá garantias de que a construção da ETES seja um investimento eficiente, explica.

A construção de uma Estação de Tratamentos de Efluentes Suínicolas (ETES) em Leiria, que ajude a resolver o problema da poluição suinícola, não deverá avançar.

João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, admitiu-o, esta manhã, após uma visita ao Pinhal de Leiria, quando questionado sobre o ponto de situação do processo da ETES.

“Os estudos mostram que não há maturidade da relação com os suinicultores que justifique a construção de uma obra pública, isto é, nós temos mesmo que, com o Ministério da Agricultura, agir no sentido da responsabilização, da penalização e do encontro de outras soluções que não são soluções tecnicamente sofisticadas”, afirmou.

Entre as soluções que estão a ser estudadas, e que deverão ser apresentadas em fevereiro, pelas Águas de Portugal, explica o ministro, estão “um conjunto de ETAR que têm capacidade sobrante de tratamento e que algumas delas foram até pensadas para tratar alguns desses efluentes”.

Acrescenta ainda que “chegaremos a fevereiro com esses números certos e alguns desses efluentes, pagando, claro, serão tratados nessas mesmas ETAR”.

“A solução de uma grande ETAR é uma solução que tudo nos demonstra ser uma solução absolutamente ineficiente, que vai obrigar a um investimento grande, o que é natural, mas o meu problema não está no investimento, está na garantia e no compromisso de que quem produz efluentes os levar a essa mesma ETAR. Eles [efluentes] têm que ser transportados e existe um custo”, realça Matos Fernandes.

“Sem qualquer compromisso, que falhou muitas vezes no passado, e os principais interlocutores do outro lado são os mesmos, não há razão para construir essa ETES. Se a fizéssemos, íamos ficar todos muito contentes no dia da inauguração, haveria certamente umas fotografias simpáticas a dizer está aqui a solução e depois íamos continuar a ter a ribeira dos Milagres poluída”, concluiu.

Em outubro passado, os presidentes das câmaras municipais de Leiria, Batalha, Porto de Mós e Marinha Grande defenderam, no parlamento, a construção de uma Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES) para mitigar a poluição no rio Lis.

Estes quatro autarcas, a Comissão de Ambiente e Defesa da Ribeira dos Milagres, o grupo Águas de Portugal e a Recilis – Tratamento e Valorização de Efluentes foram ouvidos na Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República, a requerimento do BE, no âmbito dos problemas de poluição na bacia hidrográfica do Rio Lis.

Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal da Batalha, Paulo Santos, lamentou que a solução para o problema da poluição relacionada com a suinicultura se esteja a arrastar ao longo dos anos.

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