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Caldas da Rainha

Covid-19: Mais praticantes mas menos estágios de ténis nas Caldas da Rainha

O número de praticantes de ténis na Felner Academy aumentou durante a pandemia, mas, em contrapartida, o novo coronavírus impediu a realização de estágios de atletas estrangeiros, uma das principais fontes de rendimento do clube das Caldas da Rainha.

Nascida de uma parceria com o Clube de Ténis das Caldas da Rainha, a Tennis Felner Academy recebeu desde o início da pandemia de Covid-19 “30 novos alunos na escola de ténis”, diz Miguel Moreira, coordenador daquela valência.

Muitos destes novos alunos eram “oriundos de outros outras modalidades como a ginástica, o Kempo [arte marcial] e a natação”, afirmou, sustentando que o facto de “muitos clubes e ginásios terem encerrado” acabou por contribuir para “este aumento substancial”.

A opção por esta modalidade teve também na base “a preocupação de muitos pais com a segurança dos filhos”, já que, sublinhou, “o ténis foi considerado um desporto de quase risco zero”.

Ao contrário de outras modalidades, em que o confinamento ditou longos período de inatividade, na academia a formação esteve interrompida por apenas algumas semanas, reabrindo com regras como “um número máximo de dois miúdos por campo, três bolas por cada grupo, substituídas com muitas regularidade e sempre desinfetadas com spray lixiviado”, antes do novo confinamento atualmente em vigor.

A atração de novos praticantes estendeu-se igualmente à vertente de competição, reforçada, entre outras, com a entrada de Sofia e Artur Rocha, dois irmãos que trocaram o Brasil por Portugal.

“Já competia no Brasil e quando cheguei a Portugal optei por esta academia por ser bastante conceituada”, explicou Sofia, convicta de estar “no lugar indicado para treinar e progredir na modalidade”.

Com o país a enfrentar um segundo confinamento, a atleta lamentou o impacto das interrupções do treino “no rendimento e na preparação para as competições”, defendendo que a prática da modalidade “é bastante segura”.

Pedro Rodrigues, de 20 anos e atleta de competição desde os 16, reforçou essa ideia, assegurando que todos “cumprem o distanciamento e desinfetam as mãos e as bolas” e considerando haver “mais prejuízo na interrupção dos treinos do que perigo de apanhar o vírus ou contagiar outros atletas”.

“Aqui na academia, não houve qualquer caso e na modalidade, em termos nacionais, se houve, foram muito poucos”, acrescentou, lamentando que ainda assim, “devido às restrições de circulação muitos torneiros em que ia participar tenham sido cancelados”.

Há amsi praticantes, mas menos estágios (Fotos: Tennis Felner Academy)

Nada que, segundo o diretor-geral da Tennis Felner Academy, Pedro Felner, se tenha refletido “em desmotivação, quer dos alunos da formação, em que apenas cerca de 10 terão desistido da modalidade”, quer dos atletas fidelizados.

O facto de o clube contar no centro de treinos com atletas de alto rendimento ditou que, durante o primeiro confinamento, a câmara das Caldas das Rainha tivesse permitido a manutenção dos treinos para um número reduzido de competidores.

Mas, lembrou Felner, “a competição ficou toda desregulada, muitos atletas não sabiam quando iam competir e muitas vezes os cancelamentos eram comunicados quase na véspera ou dois antes”.

Com atletas fidelizados e um aumento de procura em termos de formação, o principal impacto da pandemia acabou por se centrar “na impossibilidade de realizar estágios de treino para atletas estrangeiros”, segundo Pedro Felner, “uma das principais fontes de financiamento” da academia.

O serviço, que inclui, para além do treino, o transporte e alojamento dos atletas, “neste ano de 2020 praticamente não existiu, porque costumamos receber muitos atletas indianos, entre outros países, que não puderam viajar devido à pandemia”.

Com 2021 a arrancar com o país novamente confinado, resta agora “ver como as coisas vão correr” para que a academia e a modalidade “voltem à normalidade”, rematou Felner, convicto de que “os novos praticantes que se ganharam, provavelmente vão manter-se no ténis”.

A Felner Tennis Academy conta com cerca de 150 praticantes, entre as camadas de formação e atletas de competição, e contribuiu nos últimos anos para a formação de tenistas portugueses como Frederico Silva – 185.º do ‘ranking’ mundial, que esta semana participou no Open da Austrália -, e Tiago Cação, ou os estrangeiros Chantal Skamlova (Eslováquia) e Ulyana Ayzatulina (Rússia), entre outros.

Dina Aleixo (Lusa)

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