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Dança

Prix de Lausanne pode “mudar completamente” o futuro do bailarino António Casalinho

Annarella Sanchez, responsável pelo conservatório que colocou cinco bailarinos na competição, afirma ser “um sonho realizado”.

O bailarino português António Casalinho, que venceu no sábado, 6 de fevereiro, a competição internacional de bailado Prix de Lausanne, acredita que o sucesso na Suíça pode ser decisivo para o futuro enquanto profissional da dança.

“O Prix de Lausanne pode mudar completamente o meu futuro”, disse à agência Lusa António Casalinho, 17 anos, um dos três bailarinos formados no Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sanchez, de Leiria, que chegaram à final.

Casalinho venceu o prémio “Oak Foundation”, com uma variação clássica que garante uma das bolsas em disputa, e o Prémio de Interpretação Contemporânea “Minerva Kunstistiftung”.

“Participar no Prix de Lausanne é um sonho de imensos bailarinos que querem mudar o seu futuro. Tem muita visibilidade e todos têm grandes expectativas no vencedor. Esta vitória pode dar-me entrada numa companhia profissional de ballet. É uma porta, das grandes, que se abre”, assume o bailarino português.

Para António Casalinho, participar na edição 49.ª edição do Prix de Lausanne em contexto de pandemia obrigou a “muito trabalho e grande sacrifício”, devido aos diversos constrangimentos, que obrigaram à participação por vídeo.

“É muito difícil fazer o trabalho que fizemos. Mas é muito bom ver que o mundo da dança não parou e fiquei muito feliz, por mim e pelos meus colegas, Francisco [Gomes] e Giulio [Diligente], que deram o máximo. Teria sido justo ganharem, também”, acrescentou.

António Casalinho foi o primeiro vencedor português do Prix de Lausanne em representação de uma escola portuguesa e esse facto é realçado por Annarella Sanchez, responsável pelo conservatório que colocou cinco bailarinos (três portugueses, um italiano e uma britânica) na competição, apurando três para a final.

“Portugal é visto no mundo da dança como um país do terceiro mundo. Desde que comecei a entrar no Youth American Grand Prix, em 2012, que queriam que entregasse os nossos talentos às grandes escolas. Mas eu queria chegar até ao Prix de Lausanne e demonstrar que nós em Leiria e em Portugal conseguimos estar ao mesmo nível de escolas como o Royal Ballet [de Inglaterra] ou o Zurich Ballet [da Suíça]. É um sonho realizado”, disse à agência Lusa.

A professora cubana, que vive em Portugal desde 1996 e que criou uma academia de dança em 1998, apostou decisivamente na profissionalização de bailarinos em 2015, fundando o Conservatório Internacional de Ballet e Dança Annarella Sanchez.

De então para cá soma todos os anos triunfos em competições internacionais destinadas a jovens bailarinos, atraindo a Leiria dezenas de estudantes de dança de vários pontos do mundo.

Atualmente ensina cerca de seis dezenas de alunos de Itália, Japão, Espanha, Argentina, México, Brasil, Uruguai, Roménia, Inglaterra, Eslovénia, Países Baixos ou Suíça.

“Há famílias inteiras que se mudam para Leiria para os seus filhos aprenderem aqui”, realça Annarella Sanchez, que justifica essa capacidade de atração com “a qualidade do corpo docente, as boas instalações, a tranquilidade da cidade e a disciplina do trabalho”.

“Os pais vêm atrás da segurança que lhes dou, porque os seus filhos não vêm para aqui passar o tempo, mas sim para se formarem bailarinos”, comentou.

Annarella Sanchez, que já colocou a bailarina Matilde Rodrigues no Birmingham Royal Ballet, de Inglaterra, e João Gomes, no Sibiu Ballet, da Roménia, lamenta contudo a falta de reconhecimento por estar fora de Lisboa e do Porto.

“É uma luta constante. Leiria continua a ser província, por melhor trabalho que façamos ou por mais prémios que se ganhem. O Prix de Lausanne não vai mudar nada na forma como somos olhados em Portugal. Na Companhia Nacional de Bailado alguns bailarinos reconhecem o que fazemos, mas nunca vi o diretor interessado em que o António [Casalinho] vá lá dançar”, conclui.

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