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Castanheira de Pera

Projeto cria mais de 30 anexos e hortas em concelhos afetados pelos fogos de 2017

Iniciativa abrange agricultores de subsistência para que possam “continuar a fazer aquilo que é parte da cultura do Portugal rural”.

imagem de castanheira de pera

A Associação Causa está a reconstruir 33 anexos agrícolas e hortas em concelhos afetados pelos incêndios de 2017, de modo a garantir que a agricultura de subsistência se mantém naqueles territórios.

A associação, que conta com um financiamento de cerca de 200 mil euros do Portugal Inovação Social, prevê reconstruir ou criar 33 abrigos e hortas nos concelhos de Arganil, Castanheira de Pera e Oleiros, até dezembro de 2022, disse à agência Lusa o presidente da instituição, Afonso Almeida Fernandes.

Até ao momento, já foram feitos nove anexos agrícolas, estando prevista a “implementação de cerca de dez hortas” neste mês, contou o responsável, salientando que a pandemia atrasou a execução do projeto.

Segundo Afonso Almeida Fernandes, apesar de vários dos contemplados pelo projeto terem sido afetados direta ou indiretamente pelo incêndio, esse é apenas um dos critérios.

“O critério principal é serem agricultores de subsistência. Queremos que possam continuar a fazer aquilo que é parte da cultura do Portugal rural”, frisou, referindo que a associação, composta acima de tudo por arquitetos da zona de Lisboa, conta com uma parceria com um grupo de agrónomos.

De acordo com Afonso Almeida Fernandes, para se explicar a criação da associação é preciso recuar até 2017, quando decidiu ir com a sua família, como voluntários, para o território afetado pelos grandes incêndios de outubro desse ano.

“Ao vermos a realidade, fizemos um compromisso de ir uma vez por mês” a Treixedo, aldeia em Santa Comba Dão, no distrito de Viseu, recordou.

Ajudou na formalização de requerimentos para apoios financeiros, ouviu os problemas das pessoas e tentou mobilizar recursos para dar respostas aos desafios que ia ouvindo no terreno.

“Houve muitos agricultores que perderam o seu sustento e, numa altura inicial, por falta de informação, houve muitos que foram empurrados para o fundo [de apoio à agricultura] de cinco mil euros, quando tiveram perdas de 20 ou 30 mil euros”, salientou.

Ainda antes de formalizarem a associação, Afonso Almeida Fernandes e um grupo de amigos decidiu ajudar a reconstruir anexos agrícolas, tendo reconstruído seis em Santa Comba Dão e Tondela.

Com a associação, o objetivo é chegar a mais pessoas.

“Queremos apoiar um sector que está muito fragilizado e isolado e valorizá-lo”, vincou.

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