Assinar
Leiria Exclusivo

“Guardiões” e “guia incompleto” estão a ajudar a salvar os 90 hectares que subsistem da Mata dos Marrazes

Vizinhos e gente preocupada dá as mãos em dois projetos da União das Freguesias de Marrazes e Barosa que mergulham no “pulmão de Leiria” para refletir sobre o passado, presente e futuro da Mata dos Marrazes.

“Já vi uma formiga!”. Logo aos primeiros metros do passeio de reconhecimento, os investigadores d’Os Malmequeres entusiasmam-se com a missão: fazer o levantamento dos animais que existem na Mata dos Marrazes. Sexta-feira, de mapa, caneta, lista de bichos e lupa na mão, meia dúzia de utentes da instituição sediada nos Pinheiros lançaram-se à tarefa. Mas antes tiveram uma surpresa: um simpático rebanho surgiu para dar as “boas vindas”. Foi bom prenúncio para o passeio.

Sempre acompanhados pelo canto das cigarras, o grupo descobriu borboletas, sardaniscas, vespas, abelhas e abrigos de muitos animais – ou “hotéis”, “restaurantes” e “condomínio fechado”, como lhes chamou a orientadora Ana Prates. Apesar de não aparecerem os desejados coelhos e esquilos, Os Malmequeres divertiram-se na primeira participação em “Guardiões da Mata”, um dos projetos que a União das Freguesias de Marrazes e Barosa (UFMB) promove para sensibilizar para o esforço de manter e cuidar daquele que é considerado o “pulmão de Leiria”.

“Sozinhos não conseguimos resolver todas as questões que estão ligadas à sua preservação e à regeneração”, admite a coordenadora do projeto e secretária da UFMB. Com todos os cuidados por causa da pandemia, “Guardiões da Mata” envolve Os Malmequeres e ainda alunos da Escola Básica 1 de Marrazes, utentes do lar AMITEI e habitantes do Bairro de Sá Carneiro (através do CLDS Del’Rei, da InPulsar), considerados por Catarina Dias “os ‘porteiros’ da mata”. Todos estão em “formação”, recolhendo materiais, identificando fauna e flora ou reconhecendo locais, num plano que culmina no fim do mês com construção de sinalética e de abrigos a instalar na floresta.

Em paralelo e franca articulação, a UFMB avança com “diz-me queM és” – assim mesmo, com “M” maiúsculo de Mata -, assumidamente um “guia incompleto da Mata dos Marrazes”. A socióloga Sofia Rino, a geóloga Maria Virgínia Faria, a bióloga Sónia Guerra e a arquiteta Sara Saragoça participam na reflexão sobre passado, presente e futuro do espaço verde e o resultado dará um livro (para já apenas digital), com mais de 70 ilustrações de Mara Mures, que desenhou animais, plantas e atividades deste bosque do concelho de Leiria.

Cada um à sua maneira, os dois projetos vão fixar a memória que subsiste do tempo em que a Mata dos Marrazes existia para produção de madeira e subprodutos, como a resina; refletir a mudança de uso, agora focado no lazer e desporto; e contribuir para o futuro, que passa por um processo de regeneração, após o sofrido abate de três mil árvores devido a doença.