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Como desafiar a idade com lata em Ourém? Com graffiti

Nunca é tarde para aprender – e aprender é essencial para manter aquele brilhozinho nos olhos. Em Ourém, seniores tornaram-se artistas e embelezaram a cidade com graffiti, pela mão do projeto Lata 65.

À 47ª edição, o projeto de arte urbana e intervenção social Lata 65 chegou a Ourém para lançar um desafio aos mais velhos: a aventura de ser artista de graffiti. “Não há uma idade para aprender algo novo e de irmos à rua pintar”, anunciou, na sessão, a fundadora de Lata 65, Lara Seixo Rodrigues. Desde 2012, dos 60 aos 102 anos, 560 pessoas já descobriram a arte urbana e aprenderam a pintar, “mesmo os que a nunca desenharam na vida”.

Ao adágio popular “estamos sempre a tempo”, junta-se a espécie de lema da Mistaker Maker, plataforma artística que dá vida ao projeto: “De erro em erro é que se aprende”, sintetiza Lara Rodrigues. Nada há nada que não se possa desenhar, não há desenhos perfeitos nem linhas direitas – e aqui não há borracha para apagar.

Para 15 maiores, alunos e professores da Universidade Sénior de Ourém (USO), a experiência ganha-se – lá está – por tentativa (e erro). “Alguns estão a reclamar que são de Letras e nunca desenharam; e, de repente, estão a desenhar e estão a divertir-se”. Antes de deitarem mão aos sprays, a mentora do projeto deu uma lição de arte urbana, ajudando os idosos a entender o que veem nas ruas.

Os minutos iniciais de resistência foram vencidos ao primeiro desafio: inventar um nome “de rua”, uma tag. E assim, de desafio em desafio, se chegou ao mural, “registo final” deste workshop que decorreu no início da semana.

Na parede de um edifício junto às piscinas de Ourém, os idosos lançaram mãos à obram e pintaram – depois de pensar no assunto – as suas visões da cidade. O mural traduz, para o futuro, “a memória deste momento bem passado” e a “capacidade para aprender coisas novas, apesar da idade”, frisa Lara Seixo Rodrigues.