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SOS Ucrânia

Em Porto de Mós os Lulenko “salvaram o futuro das crianças” e já podem dormir em paz

Chegados a Porto de Mós há menos de duas semanas, refugiados estão já com soluções de habitação e emprego asseguradas. A família Lulenko diz estar grata por poder viver, dormir e trabalhar

Fotografia da família Lulenko em Porto de Mós
A família Lulenko deixou a cidade ucraniana de Zaporíjia, a 16 de março: uma semana depois já tinha emprego e habitação asseguradas

Alexei Lulenko não esconde a satisfação pela forma como foi acolhido em Porto de Mós. Poucos dias após a chegada, Alexei, a esposa, os quatro filhos e dois cães, já têm um futuro traçado entre nós.

De tal forma que, pelo menos para já, nem abordam a possibilidade de regresso à terra natal que, desde 24 de fevereiro, está mergulhada num conflito que estilhaçou vidas, edifícios e equipamentos, enquanto alterou radicalmente o equilíbrio geoestratégico global.

Mecânico de helicópteros militares, Alexei veio com a esposa, Daria, costureira com a formação em aplicação de rastas no cabelo.

Os dias corriam normais até que a guerra irrompeu na vida desta família, como em muitas outras. Confessam que não a esperavam nem acreditavam que acontecesse. Mas ela chegou.

Com os filhos, Eva, Karina, Karolina e Dmitri, a família passou as noites nos bunkers. As sirenes avisavam do perigo e o refúgio subterrâneo era a única opção. Dormir passou a ser um luxo, contam.

Viviam em Zaporíjia, cidade nas margens do rio Dnieper, no leste do país. Quando ficou claro que as vítimas desta guerra iam bem além dos militares e que nem os civis eram poupados, decidiram que tinham de sair do país.

Partiram dia 16, rumaram a uma cidade vizinha por comboio. E daí, até à fronteira polaca, “pagaram” uma boleia. Na fronteira, Portugal passou a ser opção pelo facto de lhes ter sido permitido transporte em conjunto com uma outra família do bairro em que moravam e com quem estiveram nos bunkers. Além do mais, foi igualmente possível transportar os dois cães, explica Alexei.

Um deles, adianta, também foi resgatado: encontraram-no abandonado enquanto fugiam e decidiram que não o podiam deixar para trás. Chegaram a Porto de Mós, transportados pela missão voluntária concelhia, no dia 20. E agora, qual a principal preocupação para o futuro? “Viver”, diz Alexei.

“O principal foi salvar o futuro que são as crianças, e viver aqui em Portugal: convosco estamos bem”, completa sorridente.

Sentem-se “como em casa pela forma como foram acolhidos, sentimo-nos bem”, explica Alexei. Nos primeiros dias, e apesar de lhes ter sido explicado do que se trava, a sirene que se ouve a marcar a saída de fábricas, ainda sobressaltou, sobretudo os mais pequenos. Fazia lembrar a guerra no país natal mas o problema foi ultrapassado.

Entretanto, recuperaram a tranquilidade à noite e e já conseguem dormir, o que não acontecia há algum tempo, adiantam. À chegada e provisoriamente, esta família foi instalada na Quinta da Mirinha, às portas da vila.

Mas rapidamente surgiram oportunidades para rumar para novas paragens. Na última terça-feira, Telma Cruz, vereadora da Saúde e Ação Social, explicava que, na quinta, foram inicialmente acolhidos 18 refugiados e que eram já 15 as pessoas em vias de integração.

“Grande parte das pessoas acolhidas já estão encaminhadas, quer ao nível residencial, quer ao nível de integração no mercado de trabalho, quer ao nível da integração escolar das crianças. Contamos que no decorrer da próxima semana, várias famílias estejam já instaladas em habitações próprias e integradas na comunidade, nomeadamente, na escolar, no que se refere às crianças e jovens”, explica.

A atividade da estrutura de missão criada pela autarquia para acolher refugiados e o apoio de “várias entidades, entre elas a Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós que assegurou várias questões logísticas, aquando da preparação das instalações na Quinta da Mirinha e também as refeições das pessoas acolhidas”, asseguraram um acolhimento que “correu muito bem”, reforça.

Os primeiros passos para uma integração de sucesso já fazem parte da nova vida de Alexei e Daria. O casal já tem emprego, numa empresa na Moitalina. Aí vão trabalhar juntos. “A entidade [empregadora] ajudou com o emprego, a casa e tudo o resto.

As crianças vão para a escola e Alexei foi conhecer a casa para onde vão e que está a ser remodelada. E diz estar maravilhado”, explica Adriana Lima, a tradutora que mediou a conversa do Região de Leiria com esta família de refugiados.

“Queremos aprender português e trabalhar”, resume Alexei. E em português faz questão de dizer: “Obrigado”.

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