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SOS Ucrânia

Jovens reclusos de Leiria enviam mensagem de paz e solidariedade às vítimas da guerra (c/vídeo)

Os jovens escreveram a palavra paz com o próprio corpo num campo de jogos da cadeia

Jovens reclusos cantam pela paz na Ucrânia (Fotografia e edição de Joaquim Dâmaso)

Os reclusos do Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens escreveram uma mensagem de paz e solidariedade, em português e em ucraniano, que pretendem enviar às vítimas da guerra na Ucrânia, em conjunto com a ajuda prestada por Leiria.

A mensagem foi divulgada na manhã desta quarta-feira, dia 9, durante uma iniciativa que decorreu no estabelecimento prisional e que incluiu momentos musicais e a largada de quatro pombos como símbolos da paz – palavra que os jovens escreveram com o próprio corpo num campo de jogos.

“Nós estamos sensibilizados com o que vemos nas notícias sobre a guerra na Ucrânia e estamos preocupados, de igual forma, com os povos ucraniano e russo, porque ambos estão a sofrer”, explicou Dmytriy Pendelya, de 22 anos, que leu a mensagem em ucraniano.

“Estamos também com receio que mais povos e pessoas possam sofrer e abandonar as suas casas em fuga à guerra e ao sofrimento”, adiantou o jovem, natural da Ucrânia, lamentando que “pior ainda possa acontecer”, embora tenha “a esperança de que isso não suceda”.

Os jovens quiseram, com esta “pequena manifestação”, prestar “uma homenagem ao povo ucraniano, fazer um apelo à paz, ao amor e à solidariedade”, e transmitir “apoio como qualquer cidadão a nível mundial deve fazer”, referiu Dmytriy Pendelya.

O jovem nasceu na Ucrânia e veio para Portugal com a família quando tinha cinco anos. “Estou preocupado. Tenho cá os meus pais, mas o resto da minha família está na Ucrânia e receio que possa sofrer graves consequências da guerra”, lamentou.

Uma preocupação comum a outros reclusos, seja qual for a sua nacionalidade. É o caso de Júlio, um português de 22 anos. “Nós vemos sempre no telejornal as notícias sobre a Ucrânia e, constantemente, vemos novas sanções, mas nada muda, e isso preocupa-nos porque não sabemos até onde a guerra pode ir”.

A diretora do Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens, Joana Patuleia, explicou que a “iniciava nasceu da sensibilização de todos relativamente à tragédia por que passam as vítimas da guerra”. “Achámos que tínhamos de assinalar e de mostrar a nossa solidariedade relativamente a esta trágica situação”, frisou.

“Quem está em liberdade tem muitas formas de mostrar a sua solidariedade. Aqui os jovens têm alguma dificuldade, porque não podem doar bens, roupa, alimentos, seja o que for. Assim, encontrámos esta forma de a transmitir, através da mensagem que vamos fazer chegar à Ucrânia”, explica Joana Patuleia.

“É uma mensagem de solidariedade, de esperança e que apela ao amor, à paz e ao não à guerra. É também uma forma de fazer refletir estes jovens acerca destes e de outros valores fundamentais, como a defesa dos direitos humanos ou a liberdade”, adiantou.

A iniciativa envolveu jovem reclusos, funcionários, professores, capelão e outras pessoas e instituições que colaboram com o estabelecimento prisional, como a Sociedade Artística Musical de Pousos (SAMP) e os Samaritanos.

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