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SOS Ucrânia

Resposta comunitária permitiu acolher 150 refugiados nas Caldas da Rainha

Maioria dos refugiados está a viver em casa de amigos ou familiares da comunidade ucraniana das Caldas da Rainha ou foram acolhidos por voluntários.

Centena e meia de refugiados da Ucrânia foram recebidos nas Caldas da Rainha, mas os centros de acolhimento criados pela autarquia continuam vazios, porque a comunidade local faz questão de acolher as famílias que fogem da guerra.

Dos cerca de 300 refugiados que a Câmara das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, previa receber, em consequência da invasão militar da Ucrânia pela Rússia, “150 pessoas, que correspondem a 51 famílias”, já se encontram na cidade, de acordo com o gabinete de crise criado para responder às solicitações de acolhimento.

De entre as medidas implementadas, a Câmara criou um centro de acolhimento com capacidade para 28 pessoas, a que se juntam duas escolas primárias prontas para acolher mais duas dezenas de deslocados e disponibilizou ainda algumas habitações.

Porém, “ainda não houve necessidade de recorrer aos centros de acolhimento”, disse à agência Lusa a vereadora da ação social, Conceição Henriques, responsável pelo gabinete que até agora disponibilizou “sete alojamentos” e se prepara para alojar “mais cinco famílias”.

A grande maioria dos refugiados “ficou instalada em casa de amigos ou familiares” da comunidade ucraniana das Caldas da Rainha e muitos outros estão a ser recebidos em casa de voluntários.

O diretor do Centro de Artes das Caldas da Rainha, José Antunes, foi dos primeiros caldenses oferecer teto a uma família de ucranianos, instalando num alojamento local um casal com quatro filhos menores e que espera em breve o nascimento de um quinto.

“Perante a situação achámos que devíamos dar um passo à frente, como forma de apoiar esta família, mas também de aplacar o sentimento de impotência perante esta guerra”, disse José Antunes à agência Lusa.

A oferta foi “temporária mas vai estender-se pelo tempo que eles precisarem, e só sairão quando tiverem uma solução”, afirmou o diretor do Centro de Artes, explicando que “o pai mantém a atividade que tinha na Ucrânia, estando em teletrabalho”. Neste caso, o homem pode deixar a Ucrânia porque tem mais de três filhos menores.

Com chegada prevista para hoje, duas mães e dois filhos, vão poder instalar-se num edifício histórico, de 1917, restaurado pelos proprietários para acolher estas famílias.

O prédio “estava a ser remodelado, com calma, para no futuro instalar um alojamento local que proporcionasse às pessoas uma vivência ao estilo do século XX”, explicou à Lusa Margarida Varela, filha do proprietário, Luis Varela. O projeto acabou por ser adiado e a obra acelerada por sugestão do filho e neto de ambos, Francisco Varela, de 27 anos, que “sugeriu que a casa fosse arranjada para acolher famílias”.

Donos de uma empresa familiar que durante as duas guerras mundiais do século passado “auxiliava muitas pessoas quando havia senha de racionamento e escassez de bens como azeite, açúcar e outros mantimentos”, a família não hesitou, contactou uma ucraniana a residir nas Caldas da Rainha e, por intermédio desta, recebe agora estas famílias.

Um facto que, assim que foi conhecido, “gerou a solidariedade de amigos que ajudaram a restaurar móveis, mudar papel de parede e outros que contribuíram na limpeza pós obra”, para deixar pronta a casa onde as novas residentes contarão com as mobílias dos antepassados de Margarida e a oferta de bens essenciais do Banco Alimentar.

A par com estes exemplos, o gabinete de crise da autarquia tem contado todas as semanas “com algumas casas disponibilizadas por parte da sociedade civil”, levando a vereadora a estimar que “várias famílias sejam acolhidas ainda durante algum tempo”, sem recorrer aos centros de acolhimento “onde as condições são mais impessoais”.

O gabinete de crise tem ainda ajudado na agilização de procedimentos de legalização dos refugiados, bem como “na articulação com a segurança social e escolas”, apesar de “a maioria das famílias optarem por manter os filhos a ter aulas ‘online’, nas escolas do seu país”, havendo atualmente apenas “duas crianças inscritas em escolas do concelho e numa creche”.

No entanto, para facilitar a inclusão das crianças a Câmara está a disponibilizar atividades de tempos livres, bem como a prática de atividades desportivas, entre as quais o futebol.

Também contactada pela Lusa, a diretora do Agrupamento de Centros de Saúde Oeste Norte afirmou que “está a ser feito um levantamento de todas as pessoas que chegam e quais as suas necessidades”, estando o centro de saúde “especialmente atento às necessidades de vacinação covid, da poliomielite e da tuberculose, uma vez que chegam pessoas bastante fragilizadas”.

De acordo com Ana Pisco o Centro de Saúde está ainda a fazer o acompanhamento de mulheres grávidas e de um caso encaminhado para o Instituto Português de Oncologia, assegurando ainda que, em caso de doença todas as pessoas serão atendidas, mesmo que ainda não lhes tenha sido atribuído número de utente.

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