A Região de Leiria rejeitou os pareceres negativos do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) e do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) sobre a transformação do Politécnico de Leiria em universidade.
Num comunicado, divulgado quinta-feira, os dez municípios da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL) manifestaram a “sua firme discordância relativamente aos pareceres negativos emitidos pelo CCISP e pelo CRUP contra a criação da Universidade de Leiria e Oeste, que foi aprovada pelo Governo.
Para a CIMRL, a criação da universidade “constitui um passo insubstituível para a reconstrução e o desenvolvimento sustentado de uma região que figura entre os principais motores económicos do país, especialmente num momento em que enfrenta os desafios acrescidos da reconstrução pós-tempestades”.
Os municípios salientam que, fora das áreas metropolitanas, “a região de Leiria e Oeste concentra 11,4% da população nacional, 11% do PIB [Produto Interno Bruto] e 12,3% do Valor Acrescentado Bruto (VAB), com exportações próximas de metade da riqueza gerada”.
Segundo a CIMRL, “trata-se da mais elevada densidade industrial do país, construída ao longo de décadas através do saber-fazer industrial e com o contributo decisivo do Politécnico de Leiria na qualificação de gerações e no alinhamento da formação com as necessidades das empresas”.
Destacando o “modelo de proximidade entre ensino e indústria”, os autarcas consideram que a “competitividade depende hoje menos da eficiência e mais da inovação sustentada em conhecimento”.
“Criar e transformar exige investigação, formação avançada e capacidade de suportar inovação contínua e disruptiva”, afirmam os autarcas, ao sublinhar que “não se trata de melhorar o bom Politécnico que existe”, mas de “criar uma universidade com escala científica e foco no conhecimento”.
Na nota, a CIMRL acrescenta que, “num contexto marcado pelos efeitos devastadores das recentes tempestades, a transformação do Politécnico de Leiria em universidade assume uma dimensão ainda mais estratégica”.
Os autarcas disseram ainda que a “reconstrução da região exige não apenas infraestrutura física, mas um sistema de conhecimento capaz de orientar, acelerar e qualificar esse processo”.
“Uma universidade com investigação e capacidade de formação avançada é o motor que permite ao território responder com maior resiliência a choques futuros e competir nas atividades de maior valor”, lê-se na nota.
Os dez municípios da CIMRL reforçam que a criação de “uma universidade com investigação e capacidade de formação avançada” é o “caminho para convergir com as regiões mais dinâmicas do litoral”.
“A evolução do Politécnico de Leiria para universidade é um passo natural e decisivo para o futuro do nosso território e do país”, escreveu também o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes.
O autarca adiantou que é preciso “afirmar com clareza”, que esta transformação é “valorizar uma instituição que já provou o seu papel na qualificação de pessoas e no desenvolvimento económico da região”.
“O país não pode adiar decisões estratégicas nem ficar condicionado por visões fechadas. Precisa de mais conhecimento, mais inovação e mais capacidade de competir. Este é um caminho consistente com o que fomos construindo, e vamos levá-lo até ao fim, com determinação”, acrescentou Gonçalo Lopes, ao dirigir uma “palavra de reconhecimento ao Governo pela decisão e pela visão demonstrada neste processo”.
Também a comissão política distrital do PSD de Leiria e os deputados sociais-democratas eleitos pelo circulo de Leiria à Assembleia da República rejeitam os pareceres negativos do CCISP e do CRUP e reafirmam compromisso com a criação da Universidade de Leiria e do Oeste
“Esta não é uma ambição recente nem uma reivindicação circunstancial, é fruto do trabalho do Instituto Politécnico, dos seus professores e da comunidade educativa — é o reconhecimento de um percurso sólido, consistente e sustentado por indicadores objetivos de qualidade”, referem em comunicado.
“A ligação do Politécnico de Leiria à região tem sido um dos pilares do seu sucesso. O percurso do Politécnico de Leiria confunde-se com o desenvolvimento económico e social da região. A estreita articulação com o tecido empresarial, a aposta na inovação aplicada e a capacidade de resposta às necessidades do território fazem desta instituição um verdadeiro motor de crescimento regional”, acrescentam.
O documento, enviado por Hugo Oliveira, enquanto líder da distrital e deputado, assim como João Antunes dos Santos, Ricardo Carvalho, Célia Freire e Liliana Sousa, sublinha que “este é um processo com raízes profundas e uma visão estratégica de longo prazo”. “A própria instituição tem vindo a trabalhar, há muitos anos, neste objetivo, traçando um caminho de excelência que hoje é amplamente reconhecido. Não se trata de uma mudança repentina, mas sim da evolução natural de um projeto académico consolidado e ambicioso”.
“A transformação do Instituto Politécnico de Leiria em Universidade não é apenas um passo institucional — é uma decisão estratégica para a região e o país. É reconhecer mérito, valorizar o território e investir no futuro. Leiria já demonstrou estar preparada. Agora, é tempo de o país acompanhar esse caminho”, defendem.