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Espaço dos Leitores: “Mira de Aire merece mais respeito”

A falta de limpeza das ruas, o crescimento descontrolado de ervas nos passeios, a degradação dos jardins e a falta de manutenção dos espaços públicos são hoje uma realidade evidente em Mira de Aire. As fotografias que acompanham esta exposição demonstram um estado de abandono que se prolonga há vários meses e que prejudica diariamente quem vive, trabalha e visita a vila.

Na última reunião da Junta de Freguesia voltou a ser explicado que a manutenção da EN243 é da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal e que, segundo a informação transmitida à Junta, a limpeza e o corte da vegetação apenas deverão ser realizados durante o mês de julho. Relativamente às restantes ruas, foi referido que a responsabilidade pertence ao Município de Porto de Mós, continuando sem existir qualquer previsão para a realização desses trabalhos.

Durante essa mesma reunião, o presidente da Junta afirmou ainda que, se o Município não tem capacidade para efetuar a limpeza de Mira de Aire, então deveria transferir para a Junta o valor que gastaria nesses trabalhos, garantindo que a Junta de Freguesia assumiria essa responsabilidade. Esta afirmação demonstra que existe consciência do problema e da necessidade de uma intervenção urgente, mas os habitantes continuam à espera de soluções concretas.

O problema, contudo, não se resume à limpeza. O sentimento que hoje existe entre muitos moradores é que Mira de Aire tem vindo, ao longo dos últimos anos, a perder prioridade nas decisões do concelho.

Uma Junta de Freguesia não deve limitar-se a responder que determinado problema pertence a outra entidade. Deve representar a população, defender os interesses da freguesia, acompanhar os processos, pressionar quem tem competência para agir e promover pequenas intervenções que contribuam para melhorar a qualidade do espaço público. Retirar ervas de uma floreira, limpar um jardim ou cuidar de um passeio são ações simples que fazem toda a diferença na imagem de uma terra.

Infelizmente, continuam por resolver vários problemas importantes para o futuro da vila. A ligação da EN243 a Porto de Mós permanece sem avanços conhecidos, apesar da sua importância para a mobilidade, para as empresas e para o desenvolvimento económico da região. Existem ainda zonas que continuam sem saneamento, a situação do Campo da Fiandeira permanece indefinida e a superfície comercial anunciada há vários anos continua sem se concretizar.

Nos últimos meses, Mira de Aire viveu também um período marcado por vários furtos e assaltos que geraram um forte sentimento de insegurança entre a população. Apesar de a situação aparentar alguma estabilização, foi um problema que deixou preocupação entre os habitantes e reforçou a ideia de que a vila necessita de maior atenção por parte das entidades competentes.

Estamos a falar de uma das maiores freguesias do concelho de Porto de Mós, com um número significativo de habitantes, um importante tecido empresarial, comércio local, restauração e uma forte componente turística. As Grutas de Mira de Aire são uma referência nacional e atraem visitantes durante todo o ano. A imagem de abandono que atualmente a vila transmite não prejudica apenas os moradores; prejudica também a economia local e a atratividade turística.

Não se pretende apontar culpados nem criar polémicas. Pretende-se chamar a atenção para uma realidade que é visível para qualquer pessoa que percorra as ruas da vila. Os habitantes de Mira de Aire não pedem privilégios. Pedem apenas igualdade de tratamento, manutenção regular dos espaços públicos, investimento nas infraestruturas e uma estratégia clara para o desenvolvimento da freguesia.

Mira de Aire merece voltar a sentir que faz parte das prioridades do concelho. Merece uma vila limpa, cuidada, segura e com respostas concretas para problemas que se arrastam há demasiado tempo. Mais do que promessas, os habitantes esperam ações que demonstrem que a sua terra continua a ser valorizada e respeitada.


João Carreira