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Arte dos muros de pedra seca de Sicó distinguida em cerimónia nacional 

A arte da construção dos muros de pedra seca no Maciço Calcário de Sicó esteve em destaque na Cerimónia de Entrega das Placas de Património Cultural Imaterial, realizada a 16 de outubro, na Casa das Artes, no Porto.

Jorge Cancelinha, presidente da Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento e autarca de Ansião, destacou a importância de preservar este saber ancestral, que continua vivo na região, e de garantir a sua transmissão às gerações futuras.

A iniciativa, promovida pelo Património Cultural, I.P., no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Património Cultural Imaterial, homenageou 14 manifestações inscritas no Inventário Nacional em 2026. A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado da Cultura, Alberto Santos, de autarcas e de representantes de diversas instituições e comunidades.

Entre as manifestações distinguidas esteve a arte da construção dos muros de pedra seca no Maciço Calcário de Sicó, cujo processo de inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial foi promovido pela Terras de Sicó – Associação de Desenvolvimento.

A inscrição foi aprovada por despacho de 1 de abril de 2026, do presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, I.P., João Soalheiro, e publicada em Diário da República a 3 de junho.

Na sua intervenção, Jorge Cancelinha salientou que “este reconhecimento valoriza um saber-fazer ancestral que continua vivo e que constitui uma parte fundamental da identidade e da paisagem cultural desta região”.

O estudo que sustentou o processo de inventariação permitiu identificar construções tradicionais em calcário em 18 povoações dos concelhos de Alvaiázere, Ansião, Condeixa-a-Nova, Penela, Pombal e Soure.

Segundo o responsável, o trabalho de campo e o contacto com as comunidades demonstraram que os muros de pedra seca são muito mais do que simples estruturas de pedra, constituindo testemunhos de uma relação antiga entre as populações, os recursos naturais e o território.

Uma arte que passa de geração em geração

A construção de muros de pedra seca é uma técnica ancestral executada manualmente por mestres pedreiros, que selecionam e encaixam blocos de pedra calcária de diferentes formas e dimensões. A estabilidade das estruturas é conseguida através do equilíbrio e do travamento das pedras, sem recurso, regra geral, a argamassas de ligação.

A pedra é recolhida em escarpas e afloramentos calcários, seguindo-se o transporte, a seleção, o corte e a preparação dos blocos. A construção exige conhecimento técnico, experiência e precisão, cabendo ao pedreiro encontrar o lugar adequado para cada pedra.

“Não basta colocar pedras umas sobre as outras: é necessário compreender as suas formas, os seus pesos e a maneira como se apoiam e se travam entre si”, sublinhou.

Durante o trabalho de campo que sustentou a candidatura, foram acompanhados 33 construtores com experiência nesta arte, cujos testemunhos permitiram compreender a forma como estes conhecimentos têm sido transmitidos ao longo das gerações.

“Comecei quando era ainda garoto, aprendi com os mais velhos”, recordou o construtor Carlos Cristo, num testemunho citado pelo autarca durante a cerimónia.

Também Abilino Simões destacou a dedicação exigida por este ofício: “É preciso ter muita paciência para isto, é preciso gostar muito de trabalhar com a pedra.”