Todos os anos, cerca de 9.000 mulheres são diagnosticadas com cancro da mama em Portugal. Sendo este o cancro mais prevalente entre as mulheres, a taxa de mortalidade tem vindo a aumentar, havendo registo de 2.200 mortes anuais.
Os dados foram avançados na segunda-feira por Natália Amaral, secretária-geral do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRC-LPCC), aquando da apresentação, em Leiria, do “Outubro Rosa”, que visa a prevenção e diagnóstico precoce da doença.
Fundado nos EUA, o movimento de alerta começou com um laço cor de rosa, tendo ao longo dos anos conquistado visibilidade e dimensão internacional face ao aumento da incidência.
Para esta evolução, contribuem, segundo a médica Natália Amaral, vários fatores de risco “que podemos modificar”, como o tabagismo, o consumo de álcool e a obesidade. Além do meio ambiente, como a exposição ao gás radão, nomeadamente “na zona da Beira Interior”, a gravidez tardia, a não amamentação, o padrão hormonal da mulher e o envelhecimento podem também influenciar o aparecimento do cancro da mama.
Entre os fatores não modificáveis, incluem-se alterações genéticas, que podem ser herdadas e relativamente às quais “não podemos fazer nada”, além da deteção precoce de modo a garantir tratamento atempado.
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Além da caminhada em Leiria , a 10 de outubro, organizada com o município, estão agendadas caminhadas em Castanheira de Pera, este sábado (dia 3), às 9h30, na praça do Visconde; e em Amor, Leiria, na segunda-feira (5), às 9 horas, junto ao GDRC Unidos. Em Ourém, está programada uma caminhada no dia 11, domingo, às 9 horas, com início na praça Dona Maria II, enquanto a Universidade Leiria e Oeste promove outra caminhada, em Peniche. no dia 17, às 15 horas, junto ao antigo Tribunal. Em Monte Real e Carvide, caminha-se contra o cancro da mama no dia 18, às 9 horas, no parque Olímpio Duarte Alves, e na Carreira, no dia 30;
Para Natália Amaral, a adesão ao rastreio, implementado gratuitamente em todo o país pela LPCC com o apoio do Governo, “é fundamental e salva vidas”, sendo garantido na região Centro por nove unidades móveis de mamografia que percorrem todos os concelhos de dois em dois anos.
O rastreio foi alargado, no início do ano passado, a mulheres entre os 45 e 74 anos de idade e deverá passar a incluir, a curto prazo e de forma faseada, a realização de tomossíntese mamária (mamografia 3D), que visa a deteção de tumores muito pequenos.
“Vamos começar em duas ou três carrinhas para ver como as pessoas reagem e vamos, depois, estender a todas as unidades”, explicou a responsável, reforçando a importância do rastreio mesmo em idades mais avançadas, uma vez que o envelhecimento é um “fator de risco importantíssimo”.
“Quanto mais caminhamos para a velhice, mais probabilidade temos de ter cancro”, reforçou
“Como no rastreio encontramos nódulos muito pequenos, o prognóstico é ótimo. Em tumores com menos de dois centímetros, nós podemos falar em 90% de cura”, sublinhou, reforçando o trabalho da LPCC e do Movimento Vencer e Viver, constituído por voluntárias sobreviventes do cancro da mama, para “consciencializar para a prevenção e diagnóstico precoce”.
“Mais do que uma campanha de sensibilização”
“O ‘Outubro Rosa’ é muito mais do que uma campanha de sensibilização. É um movimento que visa envolver toda a comunidade”, destacou, por sua vez, Eliana Gonçalves, coordenadora da unidade de voluntariado da LPCC, apelando à participação da população nas iniciativas programadas.
A caminhada “Pequenos Passos, Grandes Gestos”, vai decorrer a 10 de outubro, em Leiria, Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Covilhã, Guarda e Viseu. Em Leiria, a iniciativa começa às 15 horas , no jardim Luís de Camões. As receitas angariadas visam apoiar os vários projetos da LPCC.
Em Coimbra, terá ainda lugar a primeira corrida Outubro Rosa, no dia 10, pelas 17 horas, integrada num programa alargado, que, na região Centro, 40 caminhadas, 20 ações de educação para a saúde e 30 atividades lúdicas de angariação de fundos.
Já Ana Luísa Pereira, membro do Movimento Vencer e Viver de Leiria, sediado na Quinta da Matinha, em Marrazes, deixou uma mensagem de esperança para quem recebe um diagnóstico de cancro da mama, referindo que é possível ultrapassar a doença, “continuar a viver, a sorrir e a ser feliz” e que “ninguém precisa de percorrer este caminho sozinho”.
Ao longo do mês de outubro, assinalam-se os dias mundiais do Cancro da Mama Metastásico (dia 13), da Saúde da Mama (dia 15) e da Prevenção do Cancro da Mama (dia 30).