O papel “fundamental” das parcerias entre municípios e empresas para diminuir a dependência energética e contribuir para a descarbonização foi defendido esta sexta-feira, dia 25, em Leiria, numa conferência sobre as Comunidades de Energia Renovável (CER), organizada pelo jornal REGIÃO DE LEIRIA, Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria e Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria.
“O modelo que encontrámos na região, juntando empresas e municípios, é o correto para criar as dinâmicas necessárias para implementar as melhores soluções neste processo complexo”, referiu o secretário executivo da CIM Região de Leiria, Paulo Santos, no final da “Conferência Comunidades de Energia Renovável/Desafios para produção energética local através de CER”.
Na sua perspetiva, a região “tem de ser pragmática face à urgência de responder ao custo da energia e à necessidade de soluções de autoconsumo e de partilha de energia”, numa “área altamente financiada, em que não há, nem vai haver, problemas de financiamento”.





Neste âmbito, a CIM Região de Leiria, “em colaboração” com os autarcas, “está a tratar de uma dotação de 40 milhões de euros” do Fundo de Transição Justa [a investir nos distritos de Leiria, Coimbra e Aveiro] para a área das energias renováveis e da descarbonização, referiu o secretário executivo, adiantando que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e o PT2030 também assumem “a transição energética como uma prioridade nacional”.
“Este desafio está na agenda dos municípios da região”, que pretende enfrentá-lo “em parceria com as empresas, criando novas oportunidades de negócios, diminuindo a dependência energética e otimizando as necessidades do fornecimento”, adiantou.
O diretor executivo da Nerlei, Henrique Carvalho, também defendeu, no final da conferência, que decorreu na sede da associação empresarial, “o papel fundamental dos municípios” como “dinamizadores dos consumidores e das empresas, que é muito importante para gerar confiança” nas CER. “Em conjunto com as associações e outros agentes públicos, podem desempenhar um papel importante para criar modelos em que todos acreditem, nos quais todos se revejam e que funcionem”, salientou.




“O que me parece mais exigente e determinante – destacou Henrique Carvalho – é a confiança que as CER exigem dos participantes. A existência de maturidade e de confiança entre as pessoas é um desafio interessante”.
Para o diretor executivo da Nerlei, as CER “podem ser mais um instrumento fundamental para concretizar o acesso a energia limpa e, ao mesmo tempo, mitigar de alguma maneira a pobreza energética, além de poderem ser também um instrumento muito importante para as empresas”.
Na próxima edição de quinta-feira, dia 31, o jornal REGIÃO DE LEIRIA publica um trabalho alargado sobre esta conferência, com uma abordagem aos projetos apresentados e às principais ideias dos oradores.