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Fórum de Emprego e Formação 2026

Estádio Municipal de Leiria · Porta 10 09:30 - 17:00

Seguir a profissão que se ama exige dedicação, empenho e inovação permanentes

Com componentes mais profissionais ou académicas, todas as escolhas são importantes para trilhar o percurso na vida ativa. O 17º Fórum Emprego e Formação pode esclarecer algumas dúvidas, tal como os testemunhos de jovens da região com quem conversámos

Há quem siga a profissão dos sonhos porque sempre soube o que queria ser quando fosse grande. Há quem descubra pelo caminho, tropeçando entre estágios, audições e primeiros empregos que nada correram como esperado. E há quem tenha crescido rodeado de terra e de trabalho, e percebido, cedo demais para ser coincidência, que era ali que o seu lugar estava.

Ao REGIÃO DE LEIRIA, cinco jovens da região contam as suas histórias e deixam conselhos para quem ainda está a encontrar o seu caminho. Mas uma ideia atravessa todos os relatos: nenhuma carreira se constrói sem comprometimento genuíno com o que se faz.

Com o objetivo de ajudar a encontrar respostas no amplo leque de ofertas formativas que existem, decorre até sexta-feira, dia 24, em Leiria, a 17ª edição do Fórum Emprego e Formação, um encontro organizado pelo REGIÃO DE LEIRIA.

Mas vamos perceber como foi o percurso destes jovens, com uma certeza comum: Maria Rei, Marco Mendes, João Pacheco Brutt, Mafalda Ribeiro e João Tiago fazem o que gostam.

A comunicação como destino

Maria Rei cresceu na Batalha, depois de uma infância iniciada em Fão, Esposende. Formada em Comunicação e Media, pela Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (ESECS) do Instituto Politécnico de Leiria, encontrou em marketing de influência uma área que ainda estava a dar os primeiros passos quando ela própria começava. “Foi já nessa fase que descobri um interesse especial por marketing e pela comunicação digital”, conta.

A jovem de 26 anos integra atualmente a Adagietto, uma agência de comunicação em Lisboa, onde atua como consultora estratégica para marcas. “A aprendizagem foi acontecendo muito em contexto real de trabalho, acompanhando o crescimento natural da área”, admite.

Para quem queira seguir o mesmo caminho, o recado é direto: “O principal conselho que daria seria não desistir e manter a persistência”.

João Pacheco Brutt também enveredou por uma área comunicativa, mas direcionada para o turismo. Frequentou o curso profissional de Turismo na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo e a licenciatura em Técnico Superior de Turismo, na Escola Superior de Turismo e Tecnologias do Mar, em Peniche. “Escolhi estes cursos porque sempre gostei de comunicar com outras pessoas e de conhecer outras culturas”, explica o leiriense, de 30 anos, que dirige o hotel Trip Leiria.

Enquanto gestor hoteleiro, não hesita em dizer que voltará a estudar: “A indústria do Turismo e da Hotelaria está em crescimento e desenvolvimento, principalmente com a digitalização e a entrada da Inteligência Artificial”, pelo que, simples mas exigente, realça que é importante continuar a estudar, inovar e, acima de tudo, não deixar perder “o jeito de bem receber dos portugueses, reconhecido internacionalmente”, para conseguir progredir profissionalmente.

Da terra para o futuro

João Tiago cresceu numa família de fruticultores e formou-se em Engenharia Agronómica pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa.

A ligação ao campo não foi imposta – foi construída naturalmente, ao lado do pai, entre campos e colheitas, em Évora de Alcobaça, de onde é natural.

“Recordo-me de, ainda bastante novo, já ter como objetivo seguir agronomia, não só pela ligação familiar, mas também pela curiosidade em compreender melhor os processos e desafios associados à produção agrícola”, conta o engenheiro agrónomo de 27 anos.

Vê a profissão como um percurso de aprendizagem contínua, num sector em permanente transformação. “A agronomia é muito mais abrangente do que muitas vezes se imagina – vai desde o trabalho de campo à investigação, inovação e gestão”. E o sector, garante, precisa de gente motivada: “É uma área com desafios, sem dúvida, mas também com um enorme potencial de crescimento e cada vez mais relevante no contexto atual”.

Uma área em constante evolução é a cozinha. Que o diga Marco Mendes, de 34 anos. Natural do Vimeiro, concelho de Alcobaça, é subchefe de cozinha no Hotel Verride Palácio de Santa Catarina, em Lisboa, onde lidera todos os espaços de restauração – incluindo o restaurante Suba, recomendado pelo Guia Michelin, um fine dining com raízes profundas na gastronomia portuguesa.

Mas o início não foi fácil. “Foi um choque pela velocidade, pela responsabilidade, pelo tempo de reação que era necessário ter e pelo trabalho duro”, recorda. Mas resistiu, e hoje não imagina outra vida. Formado em Gestão e Produção de Cozinha pela Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, defende que entrar nesta profissão por moda é um erro: “Tem de haver um amor genuíno à profissão e um grande espírito de sacrifício, pois ser cozinheiro é um teste constante ao profissional e ao espírito”.

O caminho de Mafalda Ribeiro começou aos cinco anos em Alcobaça, ganhou forma num conservatório em Leiria e foi buscar asas a Londres, onde frequentou a London Studio Centre. Terminou a licenciatura com as melhores notas do Jazz Pathway e foi distinguida com o Gillian Lynne Award for Best Achievement in Jazz Dance. “A dança para mim é uma das melhores formas de expressão que conheço. Como bailarina, é através dela que me liberto e que exploro todas as versões de mim mesma”, diz. Consciente de que o corpo tem limites, sabe que esta não será uma profissão para toda a vida, mas, ainda assim, sair da área não é uma opção. “Primeiro quero viver a fase de palco, viajar, aproveitar essa parte ao máximo. Depois uso tudo o que aprendi para continuar na área de outra forma”, diz a bailarina, de 23 anos, que percorre oceanos a bordo do Adventure of the Seas, da Royal Caribbean, como elite dancer.

O conselho para quem sonha com os holofotes é inequívoco: “nunca desistas dos teus sonhos. Acredita em ti próprio, mas obriga-te a sair da tua zona de conforto, porque é nos momentos difíceis que evoluímos”.

Seja num navio a cruzar o Atlântico, numa cozinha com estrela Michelin, numa agência de marketing digital, na gestão de um hotel ou entre vinhas e pomares, a mensagem é a mesma: fazer o que se ama não é um privilégio de poucos, mas o resultado de escolhas difíceis, aprendizagem constante e a coragem de não desistir.

Até sexta-feira, dia 24, estas e outras áreas profissionais estão em exposição no 17º Fórum Emprego e Formação, na Porta 10 do estádio municipal de Leiria, entre as 9h30 e as 17 horas. A entrada é gratuita.

Adriana Zeferino (texto)