

Num ano em que fomos severamente atingidos por uma tempestade, que destruiu milhares de árvores, em que semana-sim semana-também chega uma onda de calor e se fala da necessidade de criar abrigos climáticos, eis que Leiria parece ter encontrado – ler com ironia – uma solução milagrosa para diminuir a temperatura que se sente na cidade: os canteiros e separadores à entrada de rotundas na cidade (Almoinha Grande e Indústrias, por exemplo) foram pintados de verde.
Ao longo de vários dias, vi funcionários do Município, de lata de tinta e rolo na mão, a pintar o piso de estruturas que ninguém pisa. Fiquei intrigado. Por que motivo estariam a pintar aqueles espaços? Não existiu nenhuma informação partilhada pela Câmara, talvez porque também não têm como explicar tal atrocidade.
Não será para imitar relva, porque a cor é demasiado viva. Não é para sinalizar ciclovias, pois as bicicletas não passam por ali. E, portanto, esta nova arte urbana não traz nada de novo para a cidade. Não pensa no futuro, na comunidade e no bem-estar de quem a visita ou de quem a habita.
Pintar de verde estes espaços, que até podiam ser ajardinados, é só… direi… tonto. Não é por pintar o cenário de verde que as ruas vão ficar frescas. Nada disso vai tornar mais fresca a cidade, que tantas sombras necessita. E que bem ficava naquele canteiro, junto ao rio, um arbusto ou flores.
A medida deita no solo uma mistura de resinas, pigmentos, solventes e aditivos, que se infiltram. Vai causar mais despesa, mais perturbação visual e tornar menos compreensível a política ambiental que se pretende adotar. Quando for necessário remover umas peças do piso ou um sinal de trânsito, voltará ao “local do crime” um funcionário, pago por todos nós, pintar as duas novas peças de cimento?
Jorge D.
Leiria